O SEGREDO DOS LEITORES CAMPEÕES

quinta-feira, 28 de maio de 2015

As dez tendências da tecnologia na educação.


As dez tendências da tecnologia na educação

Paula Adamo Idoeta
Da BBC Brasil em São Paulo


Se por um lado é impensável ignorar a importância da tecnologia na vida de jovens do mundo inteiro, por outro o uso dessa tecnologia na sala de aula ainda gera grandes debates entre educadores e acadêmicos.
Como transformar os investimentos (muitas vezes altos) em tecnologia em ideias que de fato melhorem o desempenho e aprendizado dos alunos?
O tema foi discutido em São Paulo, em um seminário recente da Fundação Santillana e da Unesco (braço da ONU para educação e cultura).
Não há consenso sobre o assunto, e muitos estudos ainda não encontraram correlações diretas entre uso da tecnologia e melhor aprendizado.
Mas observadores acreditam que se internet, tablets, computadores, aplicativos e outras plataformas forem usadas para estimular a imaginação dos alunos e amparar o trabalho do professor, com objetivos claros, podem ter impactos positivos não apenas nas notas, mas no desenvolvimento de habilidades e no engajamento dos estudantes.
"O uso bem-sucedido da tecnologia sempre vai acompanhado de reformas em outros aspectos – como currículo (escolar), avaliação e desenvolvimento profissional dos docentes", diz o documento final do evento em São Paulo.
A partir do debate e da opinião de especialistas, a BBC Brasil levantou dez tendências relacionadas ao uso da tecnologia em sala de aula e experiências de seu uso na prática.

Agregar valor ao trabalho do professor em vez de substituí-lo

Em vez de recursos tecnológicos que tentem substituir o professor ou que apenas digitalizem tarefas de memorização (como taboada) – iniciativas de pouco efeito prático e que podem até atrapalhar o rendimento -, é muito mais produtivo pensar em como a tecnologia pode ajudar o trabalho do professor.
"Uma das imagens mais caricaturescas difundidas da tecnologia na educação representa um computador que substitui o docente, oferecendo automaticamente a informação aos estudantes. Mas isso tem levado a resultados pobres, particularmente quando a ênfase dos currículos já não está apenas nos conhecimentos, mas também nas competências", diz o documento da Unesco.
"Em vez de pensar 'temos esta tecnologia e este aplicativo, como podemos usá-lo para a educação', o ideal é refletir ao contrário: perguntar aos docentes que tipo de problemas e dificuldades eles enfrentam e pensar em como a tecnologia pode ajudá-los", diz Francesc Pedró, representante da Unesco para educação, à BBC Brasil.
Nesse contexto, o professor deixa de ser apenas transmissor de conhecimento, mas sim um mediador – orientando alunos com instruções, feedback, contexto, exemplos e perguntas-chave dentro de cada projeto e identificando qual o dispositivo tecnológico é melhor para cada momento (mesmo que sejam papel e lápis).
Estudos indicam, também, que não adianta muito usar a tecnologia apenas por usar: projetos que não tenham objetivos claros e integração com o currículo escolar vão agregar pouco ao aprendizado.


Confira experiências inspiradoras de professores em escolas de todo o país17 fotos

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No quadro-negro da sala de aula da professora Elieth Portilho estão fotos de pássaros e frutas do Cerrado. As cartilhas falam de temas rurais e práticas do campo e foram elaboradas pela professora e os alunos. É com esse material que ela alfabetiza as crianças no Centro de Ensino Fundamental Pipiripau 2, localizada em um núcleo rural em Brasília Leia mais Elza Fiuza/Agência Brasil

Melhorar processos, sem precisar mudá-los radicalmente

A tecnologia não precisa necessariamente revolucionar a aula: pode ser usada para ajudar professores e alunos a trabalhar conteúdos mais abstratos, por exemplo, ou facilitar o aprendizado.
No ensino de ciências e de exatas é onde estão a maioria das experiências bem-sucedidas de avançço com a tecnologia, justamente porque fica mais fácil para que alunos visualizem conceitos, transformar números e equações em gráficos digitais e ver o resultado de seus experimentos.
Aplicativos como o gratuito Geogebra (www.geogebra.org) também têm ajudado professores a ensinar geometria no ensino médio.
Um estudo com 125 estudantes das 7ª e 8ª séries na Colômbia concluiu que recursos tecnológicos nesse tipo de atividade aumentou em 81% a capacidade dos estudantes em interpretar e utilizar gráficos.

Tablets estão ganhando o espaço de laptops e desktops

Mais barato e portátil, o tablet tende a ganhar espaço.
O tradicional colégio Bandeirantes, em São Paulo, tem um projeto-piloto de uso de tablets equipados com AppleTV a partir do 6º ano, para substituir as salas de informática (que drenavam recursos, tanto para a manutenção dos servidores quanto para atualização dos equipamentos).
O documento da Unesco vê o tablet individual – seja comprado pelos pais ou emprestado pelo poder público – como uma tendência de médio prazo na educação.
Pedró, da Unesco, afirma que desktops e laptops continuarão sendo úteis para trabalhos escritos e para equipar alunos carentes que não tenham acesso à tecnologia.
Mas existe uma tendência de governos aproveitarem mais os equipamentos móveis que já são possuídos pelos próprios estudantes (smartphones e tablets) e focarem seus investimentos em aplicativos e redes potentes.

Pensar na internet além dos sites de buscas e das redes sociais

Muitos professores já notaram que tarefas tradicionais muitas vezes são resolvidas pelos alunos com buscas pouco criteriosas na internet e o velho "CtrlC+CtrlV" (os comandos de computador de copiar e colar).
"Tudo indica que de nada adianta continuar promovendo um uso da internet sem estrutura e orientação adequadas, que não evita que a maioria dos estudantes confie na primeira informação que encontre para sua tarefa, assim como não os ajuda a evitar as distrações da própria rede", diz o documento da Unesco.
Mas a internet tem muito mais potencial além dos sites de buscas e redes sociais.
Um projeto chamado GLOBE (www.globe.gov), por exemplo, conecta mais de 4 mil escolas do mundo com cientistas. Nele, os alunos coletam dados ambientais de suas regiões e os enviam aos especialistas, que ajudam a analisá-los e a sugerir soluções para problemas do meio ambiente local.
Plataformas como Padlet (http://padlet.com/features), já usado por alunos da rede pública brasileira, ajudam estudantes e professores a construir projetos online em conjunto. Experiências em que alunos criam seus próprios websites também estimulam diversas habilidades e a produção de conteúdo próprio.
E, no que diz respeito às buscas tradicionais, cabe às escolas ensinar os alunos a pesquisar com mais eficiência, filtrar e comparar dados, em meio à crescente imensidão de informações na internet.

Fazer conexões com o mundo real

Se facilitar a conexão da sala de aula com o mundo exterior, a tecnologia pode ter um papel crucial no ensino. E há cada vez mais exemplos disso.
Nos EUA, estudantes dos anos finais do ensino fundamental criaram seu próprio anuário escolar digital e um tour virtual de um museu local, para mostrá-lo aos estudantes mais novos da mesma escola. O resultado foram alunos mais comprometidos com os estudos.
No Equador, 55 alunos equipados com computadores simularam a abertura de um restaurante durante as aulas. Usaram softwares como Excel para controlar seus gastos e plataformas para desenvolver um website do projeto, desenhar panfletos e etc.
Em uma escola da área rural da Colômbia, no ano passado, alunos receberam tablets para desenvolver um projeto de proteção da bacia hídrica local e analisar amostras de solo. Com a ajuda de apps educacionais, usaram a oportunidade para aprender os elementos da tabela periódica.
Segundo o documento da Unesco, iniciativas assim proporcionam "oportunidades práticas para exercitar e aplicar competências", nas quais os estudantes "ganham motivação e se envolvem muito mais no processo de aprendizado".

Estimular criação, cooperação e interação

Estudantes aprendem mais quando usam a tecnologia para criar novos conteúdos por si mesmos em vez de serem meros receptores, aponta o documento da Unesco.
Nessa área há experiências bem-sucedidas de turmas ou escolas que criam e debatem, em conjunto, bases de dados sobre determinados assuntos, em plataformas de construção coletiva como o Knowledge Forum (www.knowledgeforum.org).
Na cidade de Puente Alto, no Chile, alunos do 4º ano do ensino fundamental participaram de um projeto interdisciplinar de línguas e artes, cujo objetivo era entender e valorizar os povos nativos. Os alunos pesquisaram em grupo, criaram uma história sobre um dos povos, gravaram e editaram seu próprio vídeo do projeto.
Avaliações indicam que a compreensão de conteúdos é maior em ambientes assim do que se fossem usados apenas livros didáticos.

Pensar em novas formas de avaliar os alunos

Ante novas formas de oferecer e produzir conteúdo, é preciso pensar também em novas formas de avaliar sua produção, dizem especialistas.
"O melhor é buscar tarefas que estimulem a relação com o conteúdo e a reflexão – dar desafios maiores a alunos que estão armados de mais tecnologia", diz Pedró.
Ele diz ainda que as escolas não podem esquecer de sua responsabilidade de desenvolver e avaliar as habilidades digitais dos alunos. "Apesar de usarem seus celulares o dia inteiro, eles usam para as tarefas que lhes interessam, não necessariamente para o seu desenvolvimento intelectual. Países como o Chile já fazem avaliações do grau de competência digital dos estudantes."

Usar games em favor do aprendizado

Se bem usados, videogames podem exigir do aluno análise da situação, concentração e conhecimentos das matérias estudadas, ao mesmo tempo em que tornam o aprendizado mais vivencial e divertido.
"Jogos são importantes ao dialogar com a realidade e a história locais", diz à BBC Brasil Manoel Dantas, diretor-geral da Clickideia, provedora de conteúdo educacional para escolas públicas e privadas, com sede em Campinas (SP).
A empresa desenvolveu, focando em alunos do Rio Grande do Norte, um jogo interativo que aborda um massacre ocorrido durante a invasão holandesa no Estado, em 1645.
No Peru, alunos participaram da construção de um jogo em 3D baseado em um episódio da independência peruana (a rebelião de Cusco, de 1814). Ele foi usado como complemento às aulas e melhorou o rendimento da turma.

Customização e personalização

Algumas plataformas online permitem que o conteúdo seja personalizado pela região (atividades ligadas à história e ao costume locais, por exemplo) e até mesmo a cada aluno, de acordo com seus pontos fortes e fracos.
É o ensino adaptativo, "que desenha um perfil do aluno e identifica a forma como ele melhor aprende", explica Dantas, do Clickideia.
Outra plataforma que usa o método é o software brasileiro Geekie, que ao interagir com o estudante, percebe suas aptidões e dificuldades e traça um plano de estudos adaptado a elas.

Planejamento é chave

O uso da tecnologia será mais eficaz se for não aleatório, mas planejado, com objetivos claros de qual impacto pode ter no ensino.
Em estudo de julho deste ano sobre eficiência da tecnologia na educação, o Banco Interamericano de Desenvolvimento sugere quatro itens: 1) Focar em objetivos de aprendizado específicos, que podem ser em áreas básicas, como matemática e idiomas, ou em habilidades, como pensamento crítico e colaboração; 2) Coordenar componentes-chave: infraestrutura tecnológica, conteúdo e recursos humanos; 3) Desenvolver uma estratégia de avaliação e monitoramento do projeto, com as etapas a serem cumpridas e o impacto que ele pretende gerar; 4) Garantir que a iniciativa não seja isolada, mas parte de um plano sustentável ao longo do tempo na escola ou na rede de ensino.

quinta-feira, 21 de maio de 2015

Em 200 anos, português "brasileiro" pode se tornar língua autônoma; entenda

Em 200 anos, português "brasileiro" 

pode se tornar língua autônoma; entenda


A possibilidade de ser simples, dispensar elementos gramaticais teoricamente essenciais e responder "sim, comprei", quando alguém pergunta "você comprou o carro?", é uma das características que conferem flexibilidade e identidade ao português brasileiro. A análise de documentos antigos e de entrevistas de campo ao longo dos últimos 30 anos está mostrando que o português brasileiro já pode ser considerado único, diferente do português europeu. O português brasileiro ainda não é, porém, uma língua autônoma: talvez seja - na previsão de especialistas, em cerca de 200 anos - quando acumular peculiaridades que nos impeçam de entender inteiramente o que um nativo de Portugal diz.
A expansão do português no Brasil, as variações regionais com suas possíveis explicações, que fazem o urubu de São Paulo ser chamado de corvo no Sul do país, e as raízes das inovações da linguagem estão emergindo por meio do trabalho de cerca de 200 linguistas. De acordo com estudos da Universidade de São Paulo (USP), uma inovação do português brasileiro, por enquanto sem equivalente em Portugal, é o R caipira, às vezes tão intenso que parece valer por dois ou três, como em porrrta ou carrrne.
Associar o R caipira apenas ao interior paulista, porém, é uma imprecisão geográfica e histórica, embora o R desavergonhado tenha sido uma das marcas do estilo matuto do ator Amácio Mazzaropi em seus 32 filmes, produzidos de 1952 a 1980. Seguindo as rotas dos bandeirantes paulistas em busca de ouro, os linguistas encontraram o R supostamente típico de São Paulo em cidades de Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná e oeste de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul, formando um modo de falar similar ao português do século XVIII.
Quem tiver paciência e ouvido apurado poderá encontrar também na região central do Brasil - e em cidades do litoral - o S chiado, uma característica hoje típica do falar carioca que veio com os portugueses em 1808 e era um sinal de prestígio por representar o falar da Corte. Mesmo os portugueses não eram originais: os especialistas argumentam que o Schiado, que faz da esquina uma shquina, veio dos nobres franceses, que os portugueses admiravam.
A história da língua portuguesa no Brasil está trazendo à tona as características preservadas do português, como a troca do L pelo R, resultando em pranta em vez de planta. Camões registrou essa troca em Os lusíadas - lá está um frautas no lugar deflautas - e o cantor e compositor paulista Adoniran Barbosa a deixou registrada em diversas composições, em frases como "frechada do teu olhar", do samba Tiro ao Álvaro.
Em levantamentos de campo, pesquisadores da USP observaram que moradores do interior tanto do Brasil quanto de Portugal, principalmente os menos escolarizados, ainda falam desse modo. Outro sinal de preservação da língua identificado por especialistas do Rio de Janeiro e de São Paulo, dessa vez em documentos antigos, foi a gente ou as gentes como sinônimo de "nós" e hoje uma das marcas próprias do português brasileiro.
" De tanto levar "frechada" do teu olhar meu peito até parece sabe o que "táuba" de tiro ao "Álvaro"
Célia Lopes, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), encontrou registros de a gente em documentos do século XVI e, com mais frequência, a partir do século XIX. Era uma forma de indicar a primeira pessoa do plural, no sentido de todo mundo com a inclusão necessária do eu. Segundo ela, o emprego de a gente pode passar descompromisso e indefinição: quem diz a gente em geral não deixa claro se pretende se comprometer com o que está falando ou se se vê como parte do grupo, como em "a gente precisa fazer". Já o pronome nós, como em "nós precisamos fazer", expressa responsabilidade e compromisso. 
De vossa mercê para cê
Os documentos antigos evidenciam que o português falado no Brasil começou a se diferenciar do europeu há pelo menos quatro séculos. Uma indicação dessa separação é o Memórias para a história da capitania de São Vicente, de 1793, escrito por frei Gaspar da Madre de Deus, nascido em São Vicente, e depois reescrito pelo português Marcelino Pereira Cleto, que foi juiz em Santos. Comparando as duas versões, José Simões, da USP, encontrou 30 diferenças entre o português brasileiro e o europeu. Uma delas é encontrada ainda hoje: como usuários do português brasileiro, preferimos explicitar os sujeitos das frases, como em "o rapaz me vendeu o carro, depois ele saiu correndo e ao atravessar a rua ele foi atropelado". Em português europeu, seria mais natural omitir o sujeito, já definido pelo tempo verbal - "o rapaz vendeu-me o carro, depois saiu a correr..." -, resultando em uma construção gramaticalmente impecável, embora nos soe um pouco estranha.
" Vossa Mercê vai ou cê vai?
Um morador de Portugal, se lhe perguntarem se comprou um carro, responderá com naturalidade "sim, comprei-o", explicitando o complemento do verbo, "mesmo entre falantes pouco escolarizados", observa Simões. Outra diferença é a distância entre a língua falada e a escrita no Brasil. Ninguém fala muito, mas muinto. O pronome você, que já é uma redução de vossa mercê e devosmecê, encolheu ainda mais, para cê, e grudou no verbo: cevai?
"A língua que falamos não é a que escrevemos", diz Simões, com base em exemplos como esses. "O português escrito e o falado em Portugal são mais próximos, embora também existam diferenças regionais." Simões complementa as análises textuais com suas andanças por Portugal. "Há 10 anos meus parentes de Portugal diziam que não entendiam o que eu dizia", ele observa. "Hoje, provavelmente por causa da influência das novelas brasileiras na televisão, dizem que já estou falando um português mais correto."
"Conservamos o ritmo da fala, enquanto os europeus começaram a falar mais rápido a partir do século XVIII", observa Ataliba Castilho, professor emérito da USP, que, nos últimos 40 anos, planejou e coordenou vários projetos de pesquisa sobre o português falado e a história do português do Brasil. "Até o século XVI", diz ele, "o português brasileiro e o europeu eram como o espanhol, com um corte silábico duro. A palavra falada era muito próxima da escrita". Célia Lopes acrescenta outra diferença: o português brasileiro conserva a maioria das vogais, enquanto os europeus em geral as omitem, ressaltando as consoantes, e diriam tulfón para se referir ao telefone.
Mensalidade ou propina? Depende de quem está falandoPolícia Civil do Piauí Mensalidade ou propina? Depende de quem está falando
Há também muitas palavras com sentidos diferentes de um lado e de outro do Atlântico. Os estudantes das universidades privadas não pagam mensalidade, mas propina. Bolsista é bolseiro. Como os europeus não adotaram algumas palavras usadas no Brasil, a exemplo de bunda, de origem africana, podem surgir situações embaraçosas. Vanderci Aguilera, professora sênior da Universidade Estadual de Londrina (Uel) e uma das linguistas empenhadas no resgate da história do português brasileiro, levou uma amiga portuguesa a uma loja. Para ver se um vestido que acabava de experimentar caía bem às costas, a amiga lhe perguntou: "O que achas do meu rabo?".
Um sinal da evolução do português brasileiro são as construções híbridas, com um verbo que não concorda mais com o pronome, do tipo tu não sabe?, e a mistura dos pronomes de tratamento você e tu, como em "se você precisar, vou te ajudar". Os portugueses europeus poderiam alegar que se trata de mais uma prova de nossa capacidade de desfigurar a língua lusitana, mas talvez não tenham tanta razão para se queixar. Célia Lopes encontrou a mistura de pronomes de tratamento, que ela e outros linguistas não consideram mais um erro, em cartas do marquês do Lavradio, que foi vice-rei do Brasil de 1769 a 1796, e, mais de dois séculos depois, em uma entrevista do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

sexta-feira, 15 de maio de 2015

Os segredos do atual campeão de memória dos EUA, ele revela sua fórmula para o cérebro saudável.

Fabiana Grillo, do R7
Nelson Dellis é o atual campeão do Torneio de Memória dos EUADivulgação
Para muitas pessoas, memorizar número de telefone, data de aniversário ou mesmo nomes de colegas são tarefas bem complicadas. Mas, você sabia que alimentação saudável, consumo de água, atividade intelectual, socialização e prática regular de exercício físico são os segredos para manter o cérebro saudável? Essas são as dicas do atual campeão do Torneio de Memória dos Estados Unidos, Nelson Dellis.
Com apenas 31 anos, Dellis já foi vencedor do campeonato americano de memória quatro vezes, nos anos de 2011, 20012, 2014 e 2015. Ele conta que resolveu melhorar a capacidade do seu cérebro depois do diagnóstico de Alzheimer da mãe, que morreu em decorrência da doença em 2009 — ano também que ele participou de sua primeira competição.
— Memorizar é o resultado de muito treino. Além disso, não dá para lembrar-se de algo sem prestar atenção. Outra dica básica é transformar o que você quer memorizar em imagem, essa é uma das minhas melhores estratégias.
Lembranças apagam do cérebro memórias semelhantes Em outras palavras, o truque dele é construir na mente um “palácio da memória”. Ele conta que costuma visualizar um lugar que conhece bem, como, por exemplo, a casa onde morou na infância, e associa os itens que precisa memorizar em imagens que são colocadas em cada canto do ambiente. Com essa tática, Dellis detém uma série de registros de memória, incluindo memorizar 310 números em cinco minutos e 40 cartas de baralho em um minuto e cinco segundos. Lapsos de memória nem sempre são sinais de Alzheimer
A neurologista Sonia Brucki, professora livre-docente da Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo), alerta que obesidade, tabagismo, sedentarismo, hipertensão, diabetes e dislipidemia aumentam o risco de problemas cognitivos. Dessa forma, são doenças que precisam ser controladas, no caso de quem já tem, ou prevenidas.
 — O exercício físico, por exemplo, ajuda a controlar os fatores de risco vasculares, aumentando o fluxo sanguíneo cerebral e promovendo o crescimento neural, ou seja, previne o declínio cognitivo.
A boa notícia, segundo a especialista, é que em qualquer fase da vida é possível modificar a estrutura cerebral e aumentar a proteção contra os prejuízos cognitivos, “desde que a pessoa adote hábitos de vida saudáveis”.
— Bom humor e alimentação rica em ômega 3 e 6 devem fazer parte da lista de medidas preventivas, pois ajudam na manutenção da memória. Essas atitudes são capazes de aumentar a capacidade cerebral inclusive em idosos.
E o campeão do torneio de memória segue a orientação à risca. Além de escalar montanhas, ele pratica crossfit uma hora por dia e é adepto da alimentação balanceada.
— Parei completamente de beber e não me alimento com junk food. Além disso, minha alimentação inclui 10 mg de ômega 3, do tipo DHA, por dia. É claro que levo essa vida porque sou profissional, mas essa foi minha escolha.

segunda-feira, 11 de maio de 2015

CEO do Facebook Mark Zuckerberg vai ler um livro a cada quinzena neste ano


CEO do Facebook Mark Zuckerberg vai ler um livro a cada quinzena neste ano.

O criador e CEO do Facebook, Mark Zuckerberg, fez uma resolução de ano novo pública: ler um livro a cada 15 dias. E convidou todos os usuários do Facebook para se juntar a ele nesse desafio, por meio da página A Year of Books (Um ano de livros, em português).
Na página, além de ficar a par dos títulos que Zuckerberg anda lendo, também é possível participar de debates sobre a obra e até mesmo enviar perguntas para o autor. O primeiro (e por enquanto único) livro escolhido foi O fim do Poder, do venezuelano Moisés Naím.
Em poucos dias, o livro alcançou o topo entre os mais comprados nos principais sites de diversos países. No Itunes, a versão em áudio alcançou o primeiro lugar. A versão em português, publicada pela editora Leya, está na terceira posição da Amazon brasileira.
Em uma postagem feita na sua página pessoal, Zuckerberg escreveu que focaria suas escolhas em livros sobre diferentes culturas, crenças, histórias e tecnologias. Sobre O fim do Poder, disse se tratar de “um livro que explora como o mundo está mudando para dar às pessoas a quantidade de poder que tradicionalmente só era possível para grandes governos, organizações militares e outras entidades”.

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MICROFRANQUIAS


As microfranquias, também chamadas de franquias baratas, estão ganhando força no franchising brasileiro e são uma boa opção de negócio para quem deseja ter uma franquia, mas não possui um investimento muito alto.
A Associação Brasileira de Franchising (ABF) divulgou que as microfranquias movimentaram mais de três bilhões em 2013. Neste ano, a previsão é que esse número cresça ainda mais.
De acordo com o critério estabelecido pela ABF, as microfranquias devem ter um investimento de até R$ 80 mil. Hoje as franquias baratas abrangem mais de 300 marcas atuantes e movimentaram R$ 5,9 bilhões, um crescimento de 31% em relação ao ano anterior.
Em relação ao número de unidades, o aumento foi de 29%. Já são mais de 17 mil pontos de venda.
As microfranquias costumam estar relacionadas a negócios de segmentos como educação, reparos domésticos, limpeza e negócios.
Porém, engane-se quem pensa que para a escolha de uma microfranquia não deve ter os mesmo cuidados de uma franquia com investimento mais alto. O recomendado é pesquisar informações, e não apenas na internet, visitar lojas, conversar com franqueadores e franqueados, e se atentar as regras do franchising.

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segunda-feira, 23 de março de 2015

Vender é Questão De Hábito



Vender é Questão De Hábito

   
Um resumo rápido que sim se pode!

Vender é uma questão de hábito!

Quando falo isso para as pessoas elas simplesmente ficam intrigadas de como fazer disso um hábito "vender". Fazemos isso todos os dias com nossos familiares, amigo de trabalho e pessoas que circulam em nosso caminho.Quando você coloca aquela roupa para ir ao trabalho, verifica se combina as cores, as mulheres capricham na maquiagem.
Neste momento você já começou um processo de vendas, vendendo sua imagem para sua família e amigos. Nosso objetivo é ver um retorno das pessoas, um olhar ou gesto positivo que nossa imagem foi aceita.
Poderíamos relatar inúmeras situações que fazemos todos os dias, onde praticamos de alguma forma a venda.
Nesse primeiro momento temos que romper nossos paradigmas que vender é coisa de vendedor de porta-porta, que diga-se de passagem são muito bem remuneramos.
Todas as pessoas devem de alguma forma aprender esta arte milenar.
Em nosso próximo artigo, vamos deixar aqui dicas para você praticar todos os dias e se tornar um grande vendedor de idéias e imagem.
Um forte abraço!

Rogério Rodrigues

quinta-feira, 19 de março de 2015




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terça-feira, 10 de março de 2015

Porque é que os clientes têm uma impressão tão negativa dos vendedores?

Porque é que os clientes têm uma impressão tão negativa dos vendedores?
É vendedor? Se sim, está na altura de mudar esta realidade!
10 Mandamentos a seguir:
1º – “O silêncio é de Ouro” - Não fale, escute. Isto é fundamental no início de qualquer interação de vendas. Não “despeje” um discurso pré-feito sobre si e os seus produtos/serviços.
2º – Pergunte. Saiba vender com perguntas. Perceba como o cliente vai precisar do seuserviço/produto. Dedique-se ao cliente, faça-lhe perguntas…
3º – Interesse-se. Mostre curiosidade pelo cliente. Pergunte sobre os produtos/serviços que o cliente usa atualmente e se está satisfeito com eles. Crie empatia com o cliente. Descubra realmente o que ele precisa. Lembre-se que este processo não é um inquérito impessoal, não pergunte por perguntar!
4º – Crie empatia. Fale com o seu cliente de forma descontraída. Não entre em “modo venda”, a debitar “clichés” e frases feitas. Evite discursos padrão de “introdução a vendas”, tons exagerados ou monocórdicos.
5º- Nas “entrelinhas”. Preste especial atenção ao que o seu cliente NÃO diz. Repare se o cliente parece estar preocupado, chateado ou apressado? Pergunte: “é uma boa altura para falarmos?” “ Se não, talvez possamos remarcar o nosso encontro”. Mostre que se preocupa com o cliente.
6º – Mantenha o foco. Lembre-se, o que está em questão é sempre o que é melhor para o cliente.
7º - O momento certo. Depois de ter conhecimento das necessidades do cliente, já pode falar sobre o seu serviço/produto.
8º - Objetividade. Não se disperse! Escolha uma mão cheia de coisas que possam ajudar na situação do cliente e fale-lhe sobre isso.
9º - À medida. Nesta fase, já deve ter um bom conhecimento das necessidades do seu cliente em relação aos serviços/produtos que tem para oferecer. Também já ganhou a confiança do cliente, certo? Então está pronto para o próximo passo: oferecer o produto/serviço que vai “preencher as medidas“ do cliente.
10º - Ação. No final do processo de venda, o vendedor já é visto como alguém confiável que está a oferecer um serviço/produto em particular para solucionar um problema do cliente.
O objetivo é que o cliente não se lembre que esta a lidar com um vendedor. Consegue isso?PARABÉNS, está no caminho certo para ser um profissional de vendas de excelência!
Agora está à vontade para convidar o cliente a tomar à Acão final.

O segredo do MMN em 8 passos!


quinta-feira, 5 de março de 2015

É hoje! Rede Record e Xuxa se reúnem em coletiva de imprensa



A Rede Record de Televisão e a apresentadora Xuxa Meneghel informam que têm um importante comunicado a fazer hoje (5).
Xuxa e a direção da Rede Record estarão à disposição dos jornalistas a partir das 15h, no Centro de Produção da Rede Record na Barra Funda, em São Paulo.
Será um momento marcante da televisão brasileira e para a história da Rede Recordque investe intensamente em inovação e qualidade.
Os melhores momentos da coletiva serão transmitidos pelo Portal R7 a partir das 20h.

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"SÓ UM IMBECIL GOSTARIA DE FAZER O QUE NÃO CURTE"

 Mario Sergio Cortella (Foto: Gigi Kassis)
O filósofo Mario Sergio Cortella é conhecido por sua experiência na área de educação, mas parece capaz de filosofar sobre tudo. Nesta entrevista de menos de uma hora, ele foi da sala de aula à Copa, passando por tecnologia, democracia e mundo corporativo. 
Cortella é professor há 40 anos e, na juventude, tentou por três a vida no Monastério. Foi Secretário Municipal de Educação de São Paulo, trabalhou ao lado de Paulo Freire, uma das figuras mais importantes da educação brasileira, e escreveu mais de 15 livros. Uma de suas aulas colocadas no YouTube - "Você sabe com quem está falando?" - tem quase 800 mil visualizações.
Na conversa a seguir, ele chama a atenção para um "desvio de formação" dos jovens, que não foram ensinados a batalhar pelo que desejam. Ao mesmo tempo, afirma que essa geração tem várias características que precisam ser valorizadas. Cortella também dá um alerta sobre a nossa falta de tempo para pensar sobre nós mesmos: "algumas coisas na vida é melhor começar cedo antes que seja tarde". A dica, que ele repetiu algumas vezes durante a entrevista, é "parar, olhar e escutar". Já fez o seu minuto de silêncio hoje?
Debate-se muito no mercado de trabalho sobre essa geração que está encarando agora seus primeiros empregos, que suas expectativas não condizem com o que o mundo corporativo tem a oferecer hoje, e que eles não se encontram.
Há duas coisas aí. Primeiro: de qual jovem estamos falando? Porque aquele que não se encontra é aquele que tem escolha. Quem não tem escolha tem que se encontrar, senão não sobrevive. A mesma coisa vale para o dilema de mulheres que não sabem se trabalham ou cuidam dos filhos. Essa é uma opção que só parte da população tem. Boa parte das mulheres ou trabalha ou morre, só isso. De maneira geral, aquela que tem o dilema é aquela que contrata outra mulher para cuidar de seus filhos, para que possa trabalhar enquanto pensa se trabalha ou cuida dos filhos.
Mas para quem tem escolha, nas grandes organizações hoje há uma dificuldade de lidar com essa geração. Porque esse jovem com menos de 30 anos tem grandes belezas e capacidades, como senso de urgência, mobilidade, instantaneidade, simultaneidade, velocidade. Mas ele não tem algumas coisas que é necessário trabalhar: paciência, noção de hierarquia e compromisso com resultado e meta. Por uma razão: essa classe média jovem tem um desvio de formação que é confundir desejos com direitos. Isto é, eu quero, portanto você tem que me dar.
É um problema de criação?
Claro, é um problema de formação dentro da família. Desse ponto de vista, uma parcela deles acha que, dentro de uma empresa, se eu sou o chefe é como se eu fosse pai ou mãe, ou seja, eu tenho que prover as condições, e isso não acontece. Portanto, retirou-se da formação de uma parcela dessa geração a ideia de esforço. Ao fazê-lo, criou-se uma condição muito malévola, que é supor que as coisas tem que ser marcadas pela ideia de prazer. E por isso há um hedonismo hoje muito forte.
Um jovem diz: eu quero fazer o que eu gosto. Eu também. Só um imbecil gostaria de fazer o que não gosta. Todo mundo gosta de fazer o que gosta. No entanto, para fazer o que gosta é preciso que dê passos não tão agradáveis no cotidiano. Eu gosto demais de dar aula, faço isso há 40 anos, mas não gosto de corrigir prova, não conheço ninguém que goste. Mas eu não posso não corrigir, porque se eu não corrijo não tenho visão do como os alunos estão aprendendo e de como eu estou ensinando. Pois bem, qualquer um sabe que para obter prazer em algo é preciso algumas coisas que não são, no caminho, satisfatórias e prazerosas. Só que essa geração atual foi criada sem esse tipo de transição entre o desejo e o fato, entre a vontade e o sucesso, o anseio e a satisfação. Tem menino de 20 anos de idade que nunca arrumou cama, lavou louça.
O que a empresa pode fazer?
Elas precisam lidar com esse percurso de modo a formar as pessoas dessa geração com compromisso, metas e prazos, mas sem perder o que ela tem de mais inovador. Isto é, não só a familiaridade com o digital, mas o senso de urgência, mobilidade, inovação. Isso é uma força vital, altamente contributiva no mundo das empresas. Não posso em um negócio não ter gente que queira viver algo que é novo. Mas também não posso aceitar que ele ache que a vida só funcione com o novo. Você pode desprezar essa geração em nome daquilo que nela é um desvio, o que seria uma tolice imensa, ou pode aproveitar o que ela tem e procurar formá-la na direção daquilo que a fará crescer.
Há outra questão latente nas empresas: elas têm abusado da tecnologia e, muitas aproveitam as novas ferramentas, para exigir que seus funcionários fiquem disponíveis 24 horas por dia, sete dias por semana. Como lidar com isso?
A tecnologia não pode ser nossa senhora, tem que ser nossa serva. Sempre que algo que é do nosso uso nos possui, isto é, domina o nosso cotidiano, esgota nosso tempo, devora nossa condição de convivência, existe algum tipo de malefício. A recusa da tecnologia é tola, a adoração da tecnologia também é. Quando a empresa exagera nesse polo obtém vantagem por tempo limitado. Ela esgota de tal maneira seus empregados que depois de um tempo eles não conseguem mais lidar com isso. As pessoas começam a não render mais, se desinteressam, vão embora.
E na vida pessoal, as pessoas percebem o quanto a tecnologia as consome?
Elas começam a perceber aos poucos porque começam a argumentar que estão sem tempo. Esse estar sem tempo é muito sério. Significa “não consigo mais ficar comigo, tenho que viver em voz alta”. Uma das coisas que colaboram para isso é a ausência de energia. De vez em quando acaba a eletricidade e as pessoas tem que olhar-se. Ou quando a pessoa está fazendo uma viagem de avião, ela tem que ficar quieta. São coisas que vão induzindo um pouco do silêncio.
Até na área de educação escolar estamos tendo que reordenar o modo como a gente acolhe as crianças de manhã. Vêm com transporte até a escola ouvindo musica alta no fone, chegam em estado de tensão. É preciso acalmá-las, não basta colocar numa sala, mandar sentar e abrir o livro na página 36. É preciso antes diminuir a luminosidade da sala, colocar uma música mais relaxante e sossegar um pouco. Porque se não acalmar há um desespero contínuo.
Como a gente coloca um pouquinho mais desse silêncio, desse tempo, em nosso dia?
Se for em relação às empresas, algumas estão criando esse tempo. Colocam na jornada de trabalho momentos de reflexão, meditação ou espaço de repouso após almoço. O que leva o funcionário a ter um rendimento e um bem-estar maior.
Quanto ao indivíduo, ou ele cria esses tempos – pare, olhe e escute - ou vai viver de maneira automática, robótica, e conseguirá em breve um estresse. O que pode gerar a adesão ao consumo exagerado de medicamentos e drogas, legais ou ilegais. Uma obsessão por tentar ficar em estado de não sobriedade. Tem uma musica antiga que diz: “não posso parar, se eu paro eu penso, se eu penso eu choro”. Portanto, é necessário que as pessoas criem seus tempos de recolhimento. Não de meditação e sofrimento. Mas para pensar: por que faço o que faço? Por que deixo de fazer? Por que faço do jeito que faço? Por que não faço como deveria?  Isso é meditação. É reflexão. Senão uma hora a pressão é insuportável. Algumas coisas na vida é melhor começar cedo antes que seja tarde.
E essa questão da família, da criação? Estamos no caminho certo?
Não, de maneira alguma. Vou lembrar algo óbvio: trabalho de parto não termina na maternidade. Chama trabalho porque ter alguém exige responsabilidade. Algumas pessoas escapam hoje dessa responsabilidade e querem terceirizar isso. Assim como existe personal trainer, personal stylist, agora tem personal father, personal mother. Por exemplo, você vai com uma criança ao resort e, ao invés de ficar com seu filho, entrega para a recreação. Ou vai a um buffet infantil, que é um sinal nosso de demência, e lá tem um recreador. Desde quando criança precisa de adulto para fazê-la brincar? Estamos criando gerações que nem brincar mais por si conseguem. Precisa um adulto vestido de Bozo andando pra lá e pra cá animando as crianças. Como?! Criança se anima sem adulto. A família tem que repensar isso também.
Isso não quer dizer que não seja possível equilibrar família e trabalho...
Lógico que consegue. É uma questão de escolha. Tempo é uma questão de prioridade. Quando você diz que não tem tempo pra algo é porque aquilo não é prioridade pra você. Meu dia tem 24 horas eu vou preenchê-lo do modo que eu quiser. Em relação ao filho é tranquilo. Se você não tem tempo para os filhos, espere ele cair no mundo das drogas. Ai não é uma hora por dia. Um ano, dois anos, se der tempo. Portanto, pare, olhe e escute.
Como é que você vê, com a morte do Eduardo Campos, essa mudança radical nas eleições? Qual é o efeito disso na cabeça do eleitor?
Dependerá muito de como o grupo que sucede essa candidatura vai se organizar. Eles não são um grupo homogêneo, seja do ponto de vista de intenção, seja do ponto de vista de organização. Já tiveram mudança do comando de campanha. Me alegra que foi escolhida para a coordenação da campanha a Luiza Erundina, que é uma pessoa que eu admiro, fui secretário de educação no governo dela. Mas a morte de Eduardo Campos coloca um componente emocional na eleição, que é muito forte no Brasil. Temos três grandes fontes que nos impulsionam durante as eleições:  a credibilidade, o ridículo e a comoção. E há uma comoção em relação à perda do candidato. Isso pode impulsionar, mas no quadro geral dependerá de como esse partido, no caso o PSB, com suas alianças, consegue ganhar maior unidade. Inclusive porque nos próximos 15 dias muda tudo, assim como nos últimos 15 mudou. [A entrevista foi feita no dia 22 de agosto]
Estamos vindo de um ano que foi marcado por uma Copa em que o país não pareceu muito animado...
Veja, nós somos um país que viveu uma situação esquizofrênica muito interessante antropologicamente. Fomos para esta Copa com uma certeza dupla: nosso time vai muito bem a organização vai muito mal. Aconteceu exatamente o inverso: nós conseguimos uma estrutura de organização absolutamente funcional, no padrão do que foi feito em países muito mais estruturados que o nosso, e uma seleção pior do que boa parte das seleções que disputaram a Copa.
Em 40 dias nosso sentimento mudou. Ele era um sentimento que seria de protesto a um governo que não conseguiria organizar uma Copa, ao lado de uma animação imensa com uma seleção rumo ao hexa. Mas depois do 7x1, nós não falamos mais de futebol. Não é uma questão pra nós. A nossa questão agora é a nação. A eleição, o que se faz no país. Isso foi um grande ganho. Ter sido humilhado no Mineirão produziu em nós um efeito que esquecemos o futebol e fingimos que aquilo não existiu. Estamos preocupados agora com aquilo que era a motivação original dos movimentos em junho de 2013.
Portanto, 2014 é um ano que traz grandes expectativas em relação ao debate no campo da política, de gestão nacional, discussão que foi adensada pela morte de Eduardo Campos.
E essa onda de movimentos?
Infelizmente, eles foram assassinados por uma parte dos democracidas que esquecem que democracia não é ausência de ordem, democracia é ausência de opressão. Quando os democracidas entraram com a brutalidade, a estupidez, afastaram as pessoas e produziram um dano muito forte a nossa democracia.
Eles criaram em parte das pessoas rejeição ao movimento de rua. Ficou uma imagem que, depois de um tempo, muita gente estava achando que era melhor que o aparelho policial, que tem a tarefa em uma democracia de garantir a expressão, fosse repressor. Em vez de ser uma estrutura policial garantidora - não podemos esquecer que palavra polícia e política são a mesma em termos de estrutura, polis é a comunidade e polícia é o que faz com que a comunidade viva em paz – ela passou a ser demandada por uma boa parte da sociedade para ser um órgão repressor.
Acho que gerou pânico em relação à manifestação de rua, o que é muito ruim. O país viveu em 2013 dois momentos inesquecíveis, algo que historicamente era novo. As pessoas indo para as ruas com os filhos, caminhando nas avenidas, pedindo melhorias. Isso tem uma beleza cívica. A praça, a rua, de novo como uma coisa do povo.
E o segundo momento?
A outra coisa bela foi a visita do Papa Francisco. É inacreditável que um homem que representa uma das religiões seja capaz de durante uma semana pautar o país. Não se falou de outra coisa. Um homem de mais de 70 anos de idade, representante de uma religião, sendo que religião pra uma parte dos jovens representa aquilo que é anacrônico, colocou em Copacabana mais gente do que os Rolling Stones.  E ele trouxe algo incrível que é um debate sobre humildade, sobre simplicidade, isso afetou as pessoas. Levou a repensar nossa convivência com a política, nossa convivência com gestores, nossa atração palacial, de achar que o palácio é a representação do poder. Portanto essa foi uma contribuição muito mais forte até do que outro debate que nós tivemos.
O que esperar para o Brasil dos próximos quatro anos?
Bom, a primeira coisa é que a gente não deve esperar, a gente deve fazer. Tem que ter esperança ativa. Aquela que é do verbo esperançar, não do verbo esperar. O verbo esperar é aquele que aguarda enquanto o verbo esperançar é aquele que busca, que procura, que vai atrás. Bem, o que podemos esperançar? O que a gente puder construir dentro desse tempo agora. Nós precisamos fazer com que, até o momento da eleição, haja uma discussão sobre a necessidade de se pensar a educação, que é minha área, como um projeto de nação e não de governo. É preciso que haja um compromisso, continuidade de um projeto que é nacional. O governo passa, a nação persiste.
Por outro lado, dos três principais candidatos que estão dentro do cenário hoje, os três tem algum compromisso sério com a área de educação. O governo de Fernando Henrique junto com o governo Lula e Dilma conseguiram tirar nossa educação escolar da indigência. Claro que estamos só, como diria o Churchill, no fim do começo e não no começo do fim. Mas o partido do Aécio tem uma formação nesse campo, o próprio PT tem tradição nessa área e, claro, o próprio PSB. Temos boas expectativas nesse campo. Ademais, novo Plano Nacional de Educação prevê aporte maior de recursos do PIB nessa área. Portanto seja quem for eleito vai ter que fazê-lo. Por isso, minhas expectativas são positivas. É preciso que se construa essa estrutura, mas é animador face ao que nós tivemos nos nossos 514 anos mais recentes de história.

quarta-feira, 4 de março de 2015

Leitura Dinâmica

  
A leitura dinâmica  é uma forma de ler os textos de forma rápida e clara, com o mesmo entendimento, apesar da maior velocidade.
leitura dinamicaDepois de aprender a ler, as pessoas continuam fazendo vocalização das palavras, mesmo que silenciosamente. Este é o maior obstáculo à leitura dinâmica. Para aprender a ler dinamicamente, de um modo rápido, deve-se mudar o método de leitura, o que se pode conseguir com um treinamento especial.
Uma das técnicas utilizadas é a leitura de palavras inteiras, ou por blocos inteiros de palavras ao invés de sílabas. A distribuição do texto deve ser de forma que facilite a "varredura" dos olhos, sem que seja necessário deslocá-los muito de um lado para o outro.
O cérebro responde conforme os estímulos que recebe. Se durante anos, a pessoa vem lendo lentamente, os estímulos são enviados para o cérebro em baixa velocidade, e a resposta é de forma igualmente lenta.
O programa de leitura linear cerebral em funcionamento desde a alfabetização pode ser mudado através do treinamento. Existem cursos para aprender técnicas de leitura dinâmica, sendo que a duração miníma desses cursos é de 16 horas.
Na leitura dinâmica, as informações são enviadas mais rapidamente para o cérebro, elevando a velocidade de raciocínio.
Por exemplo, ao olharmos para uma caneta, não há a necessidade de se juntar sílabas para entendermos que se trata de uma caneta, pois a vemos de forma integral.
Com a leitura dinâmica acontece o mesmo. Porém, é importante ressaltar que a pessoa deve estar motivada e comprometida em utilizar o método em todas as suas leituras, pois uma mudança que procura mudar e otimizar o funcionamento cerebral é complexa.
Através do treinamento, muda-se o modo como o cérebro processa as informações, aumentando o entendimento e até o gosto pela leitura.
Após um bom treinamento, e da contínua utilização da técnica, a pessoa é capaz de alcançar uma velocidade de 1000 palavras por minuto. Essa velocidade é normalmente de 5 a 8 vezes a velocidade inicial, isso para o entendimento total do texto.
Se utilizarmos um cronômetro, na medida em que começamos a aplicar esta nova maneira de ler, podemos verificar durante o processo, uma maior velocidade de leitura, até atingirmos nosso limite.
Foto: Petr Kratochvil / http://www.publicdomainpictures.net/view-image.php?image=15919

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