O SEGREDO DOS LEITORES CAMPEÕES

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

O SEGREDO DO SUCESSO


O segredo do sucesso

Pela primeira vez, começamos a entender quais são os fatores que levam ao sucesso. Treino tem a ver. Fracasso também. Descubra por que algumas pessoas se dão bem na vida - e veja o que você pode fazer para chegar lá

por Karin Hueck  
 
Você chega cedo ao trabalho, entrega tudo no prazo, se dá bem com seus colegas e conhece os processos como ninguém. Ainda assim, está há anos no mesmo cargo, fazendo o arroz com feijão de sempre. De repente, chega um novato na área. Ele é jovem, tem as roupas da moda, se deu bem com a chefia e, pior, começou a abocanhar os melhores projetos. Em 6 meses lá está ele, promovido, na vaga que deveria ser sua. Em dois anos, ele virou seu chefe. No fim, você teve de reconhecer o talento do novato e aceitar que você não nasceu para ser chefe. Mas será que é isso mesmo? O que as pessoas bem-sucedidas têm que você não tem? A resposta, dolorida, é: nada. Absolutamente nada. Seu chefe, o dono da empresa, o Kaká e o presidente Lula não vieram ao mundo com um sinal gravado nos genes que diga: eu nasci para brilhar. Muito menos têm um talento inato que você não possui. Para desespero dos medíocres da nação, a ciência está descobrindo que todo mundo (e isso inclui você) teria potencial para ser a bolacha mais recheada do pacote. Aqui você vai descobrir como - e o que pode dar errado no meio do caminho.


É difícil se acostumar com a ideia de que nascemos todos com as mesmas chances de brilhar. Principalmente quando olhamos para aquelas pessoas que parecem ter habilidades sobrenaturais - aquelas que fazem você se lembrar diariamente das suas limitações: as crianças prodígios, por exemplo. A maior de todas as crianças prodígios foi Wolfgang Amadeus Mozart (perto dele, a menina Maysa é amadora). Aos 3 anos, o austríaco começou a tocar piano, aos 5 já compunha, aos 6 se apresentava para o rei da Bavária de olhos vendados, aos 12 terminou sua primeira ópera. Há séculos, ele vem sendo citado como prova absoluta de que talento é uma coisa que vem de nascença para alguns escolhidos. Mas parece que não é bem assim. A vocação de Mozart não apareceu do nada. Seu pai era professor de música e desde cedo dedicou sua vida a educar o filho. Quando criança, Mozart passava boa parte dos dias na frente do piano. As primeiras peças que compôs não eram obras-primas - pelo contrário, contêm muitas repetições e melodias que já existiam. Os críticos de música, aliás, consideram que a primeira obra realmente genial que o austríaco escreveu foi um concerto de 1777, quando o músico já tinha 21 anos de idade. Ou seja, apesar de ter começado muito cedo, Mozart só compôs algo digno de gênio depois de 15 anos de treino.

A regra das 10 mil horas 
Quer brilhar muito na vida? Passe 10 mil horas praticando. Pelo menos, foi isso que os grandes especialistas de todas as áreas fizeram.

Os genes não determinam o sucesso. Isso é bom, porque quer dizer que basta você se esforçar para melhorar o seu desempenho. E isso é ruim também, porque você depende apenas do seu suor para chegar lá. Suor, no caso, são 10 mil horas. Entenda aqui o tamanho da encrenca:

O mesmo pode ser observado com talentos das mais diversas áreas. Ronaldo, o Fenômeno, tinha de ser arrancado dos campos de futebol quando criança porque não queria fazer nada que não fosse jogar bola. Os técnicos de Michael Jordan se lembram de que o jogador era sempre o primeiro a chegar aos treinos e o último a ir embora. E mesmo Bill Gates, como bom nerd que era, não fez sua fortuna do nada: quando adolescente, ele passou boa parte da sua (não muito agitada) vida programando computadores enfurnado numa sala da Universidade da Califórnia. Ou seja, mesmo aquelas pessoas bem-sucedidas, que parecem esbanjar talento, ralaram muito antes de chegar lá. 

Isso faz todo sentido, se considerarmos a nova maneira como os cientistas têm enxergado a influência dos genes na formação de talentos. Aquilo que costumamos chamar de "talento natural para liderança" ou "aptidão nata para os esportes" parece não ter nenhuma relação com o nosso DNA. "Não há nenhuma evidência de que exista uma causa genética para o sucesso ou o talento de alguém", diz Anders Ericsson, professor de psicologia da Universidade da Flórida que há 20 anos estuda por que algumas pessoas são mais bem-sucedidas do que outras. A questão aí reside no fato de os genes (e sua interação com a nossa vida) serem um assunto tremendamente complexo - que dá pesadelos até nos geneticistas mais gabaritados. Já se sabe, por exemplo, que até mesmo traços diretamente ditados pelo DNA, como a cor dos nossos olhos, são definidos por mais de um gene que se relacionam entre si. O que dizer, então, de atributos mais complexos? 

Há alguns anos, o fetiche dos laboratórios tem sido relacionar genes a traços de personalidade ou a propensões para desenvolver distúrbios psiquiátricos. O mais famoso deles é o 5-HTTLPR, que em 2003 virou notícia ao ser chamado de o "gene da depressão". Ele previa uma interação com o ambiente: quem tivesse sofrido um trauma pessoal e carregasse o 5-HTTLPR em seu DNA teria também alta probabilidade de ficar deprimido. Muitos outros estudos foram no embalo dessa descoberta, e logo vieram à luz genes que explicavam a ansiedade, o déficit de atenção, a hiperatividade e até a psicopatia. No ano passado, no entanto, uma série de novos estudos virou essas descobertas de ponta-cabeça. Numa revisão que incluiu todas as pesquisas já feitas sobre o gene da depressão, concluiu-se que era impossível concluir que ele influísse na doença. (Isso, sim, é deprimente.) Já com os outros distúrbios, as descobertas foram ainda mais intrigantes. Os mesmos genes que causariam ansiedade, psicopatia, hiperatividade etc. podiam ter os efeitos opostos dependendo do ambiente em que o portador fosse criado. Ou seja, quem carrega esses genes "malditos", mas não passa por traumas, será muito mais ajustado do que quem não tem essas mutações. E o que se conclui disso tudo? Bem, que os cientistas ainda vão quebrar a cabeça por muito tempo. Se não dá nem pra dizer que existe um gene da depressão, como falar, então, do gene da "habilidade-de-driblar-adversários-e-chutar-a-bola-no-gol"? Ou seja, ainda não há consenso entre os cientistas de que exista talento para futebol (ou pra música ou pra gerir uma empresa). Pelo menos, não um ditado pelo DNA.

99% transpiração

Em 1992, pesquisadores ingleses e alemães resolveram estudar pessoas talentosas para entender o que as diferenciava dos reles mortais. Para isso, investigaram pianistas profissionais e os compararam com pessoas que tinham apenas começado a estudar, mas desistido. (Pianistas são excelentes cobaias porque seu talento é mensurável: ou eles sabem executar a música ou não sabem). O problema foi que os cientistas não conseguiram achar ninguém com habilidades sobrenaturais entre as 257 pessoas investigadas - todos eram igualmente dotados. A única diferença encontrada entre os dois grupos é que os pianistas fracassados tinham passado muito menos tempo estudando do que os bem-sucedidos. Quer dizer, não é que faltou talento para os amadores virarem mestres - faltou dedicação.

Ok, isso não é novidade. Todo mundo sabe que a prática leva à perfeição. A novidade é que, pela primeira vez, cientistas conseguiram medir o tempo necessário de estudo para alguém se destacar internacionalmente em alguma área: 10 mil horas. Foi a esse número que o especialista em sucessoAnders Ericsson chegou depois de observar os grandes talentos das mais diversas áreas. Todo mundo que foi alguém, ele concluiu, do campeão de xadrez Kasparov ao Steve Jobs, ficou esse tempo todo aperfeiçoando seu ofício. E não estamos falando de exercícios leves. O que realmente faz alguém ficar bom em algo é treino duro, dolorido, no limite do executável. No fim das contas, é treino tão difícil que modifica seu cérebro. (Só para constar: estima-se que aos 6 anos Mozart já tivesse estudado piano durante 3 500 horas. Quer dizer, ele não era talentoso, era assustadoramente dedicado.)

É aí que está a chave do sucesso: no cérebro (pra variar). Nosso cérebro é formado por duas partes principais: a massa cinzenta (os neurônios) e a massa branca. Durante muito tempo, acreditamos que a capacidade cerebral estava escondida nos neurônios. Nos últimos 5 anos, no entanto, neurologistas e psiquiatras resolveram estudar a massa branca, que até então era ignorada. O que eles descobriram mudou a maneira de entender as habilidades.
A massa branca é formada principalmente por mielina, um tipo de gordura que envolve os axônios (aquele rabinho comprido que todo neurônio tem). Ela serve de isolante para os impulsos elétricos que percorrem o cérebro. Sempre se soube que a mielina estava distribuída de forma irregular ao redor dos neurônios, mas só agora descobriu-se por quê. Ela é depositada sobre as células nervosas com o intuito de melhorar a condução da eletricidade. A distribuição desigual serve para deixar os impulsos elétricos mais precisos - para chegarem ao mesmo tempo nos neurônios, por exemplo (veja no quadro abaixo). À medida que os impulsos elétricos se tornam precisos, eles coordenam melhor os nossos movimentos e pensamentos. Isso vale para qualquer tipo de ação: de jogar basquete a entender física quântica ou falar em público. "Quando você pratica algo, a mielina se deposita e os sinais entre as sinapses vão ficando mais eficientes. A mielinização leva à perfeição", diz George Bartzokis, professor de psiquiatria da Universidade da Califórnia, maior especialista do assunto no mundo. Esse processo é tão importante que até um bebê recém-nascido só abre os olhos depois que a mielina em seu cérebro se depositou nos lugares certos. Da mesma forma, afirma Bartzokis, um idoso perde sua mobilidade não porque seus músculos se atrofiaram, mas porque a mielina do cérebro decaiu.

Pane no sistema
Para a mielinização ser mais eficiente, é preciso errar muito e sempre. Você já deve ter sentido isso na pele. Quando cai da bicicleta ou leva uma bronca do seu chefe por causa de um relatório malfeito, você vai se esforçar em dobro para o escorregão não acontecer de novo. "Se você sempre repetir aquilo que já sabe, não há evolução. O ideal é falhar tentando algo novo e mais difícil", diz Anders Ericsson. É nessa condição que a mielina é mais eficientemente espalhada pelo cérebro. Os que erram - e treinam mais - são também recompensados. Isso é visível em ressonâncias magnéticas. Músicos, escritores e crianças que tiram nota alta têm muito mais massa branca do que seus pares "comuns". Quem, aliás, era recordista em massa branca era Einstein. Quando o cérebro do físico foi dissecado, notou-se, entre outras coisas, uma quantidade anormal de mielina. "Quem nunca errou nunca fez nada de novo", dizia ele. 

Na teoria, a mielina é muito linda: ela recompensa quem se esforça e qualquer um pode ser bem-sucedido. Mas, como tudo na vida, há algumas limitações (ou você acreditava realmente que poderia ser como o Kaká?). O auge da mielinização acontece durante a infância, quando toda forma de atividade é novidade e tem de ser aprendida: de abrir os olhos a usar os talheres. Até os 30 anos, ela continua em alta escala - e é justamente quando se aprendem novas habilidades com facilidade. Até os 50, a mielina ainda pode ser ajustada em direção a um ou outro aprendizado. Depois disso, infelizmente, as perdas são maiores que os ganhos. A mielinização continua, mas para preservar as aptidões já adquiridas. Ou seja, a má notícia é que, se você quisesse ter sido o Kaká, deveria ter começado cedo. Já a boa é que, se você se contenta em apenas melhorar o seu trabalho para ser promovido, há tempo de sobra.

Além da idade, há algumas limitações sérias. Há cérebros mais preparados para mielinizar do que outros. Por exemplo, quem não consegue metabolizar apolipoproteínas já sai perdendo. Elas são proteínas que se ligam às gorduras (o colesterol, principalmente) e têm grande influência na produção de mielina. (Mielina tem muito colesterol. Por isso, se você andava cortando o ovo com medo de problemas cardíacos, pense que isso pode estar emburrecendo você. Não é à toa também que médicos ultimamente têm receitado ovo para pacientes com Alzheimer - ele parece influir nas habilidades do cérebro.) Essa disfunção pode ser detectada numa análise genética, mas, adivinhe só, como tudo que envolve genes, ainda não está esclarecida. 

Tem que lutar, não se abater


Se treino é responsável por boa parte do sucesso das pessoas que chegaram ao ponto mais alto do pódio (outros fatores virão), é preciso entender o que as levou a se esforçar tanto. Quem passa 10 mil horas da vida se dedicando a qualquer coisa que seja tem pelo menos uma característica muito ressaltada: o autocontrole. É ele que permite que a pessoa não se lembre que seria muito mais legal dormir ou estar no bar do que trabalhando. O teste do marshmallow, feito na Universidade Stanford na década de 1960, é o melhor exemplo que se tem sobre a ocorrência de autocontrole. Psicólogos ofereciam a crianças um grande marshmallow e davam a elas a opção de comê-lo imediatamente ou esperar um tempinho enquanto os psicólogos saíssem da sala. Se as crianças esperassem, ganhariam de recompensa um segundo marshmallow. Apenas um terço das crianças aguentava esperar, o resto comia o doce afoitamente. (Há um vídeo na internet desse teste feito nos dias de hoje. As imagens das crianças tentando resistir à tentação são de partir o coração.) Depois, os pesquisadores acompanharam o desempenho dessas crianças nas décadas seguintes. Aquelas que haviam esperado pelo segundo doce tinham tirado notas mais altas no vestibular e tinham mais amigos. Depois de anos estudando esse grupo de voluntários, concluiu-se que a capacidade de manter o autocontrole previa com muito mais precisão a ocorrência de sucesso e ajustamento - era mais eficiente do que QI ou condição social, por exemplo. Por isso, tente sempre atrasar as gratificações - passe vontade e não faça sempre o que der na telha: o segredo para o sucesso pode estar aí.

A questão agora é entender por que algumas pessoas abrem mão do prazer imediato em troca dotrabalho duro, e por que outras preferem sempre sair mais cedo do escritório. O processo mental, na verdade, é muito simples: para ter autocontrole, é preciso não ficar pensando na tentação e focar naquilo que é realmente importante no momento - por exemplo, terminar o serviço. É possível que esses traços tenham uma origem genética, mas é mais provável que a diferença esteja em outro ponto importante para entender o sucesso: motivação. Quem está motivado para ganhar uma medalha olímpica ou fazer um bom trabalho também abre mão da soneca da tarde com mais facilidade.

Motivação e ambição são um negócio meio misterioso, na verdade. Não funciona para todos da mesma maneira. "A maioria das pessoas sonha com um emprego estável, um salário aceitável, um chefe legal. Nem todo mundo tem ambição e quer crescer o tempo todo", diz Marcelo Ribeiro, professor do departamento de psicologia social e do trabalho da USP. Evolucionariamente, isso também faz todo o sentido. Durante séculos de seleção natural, alguns poucos ambiciosos foram escolhidos para conquistar os melhores pares, os maiores pedaços de comida e os cargos de liderança. Infelizmente, toda essa fartura não pode ir para todos - e a maioria teve de aprender a se satisfazer com o pouco que sobrou. 

Dinheiro também não é a solução para todos os problemas. Nem sempre ele funciona como um bom motivador. (Não deixe seu chefe ler isso, se você estiver querendo um aumento.) Num estudo da Universidade Clark, nos EUA, que testava a capacidade de voluntários de resolver problemas de lógica, o dinheiro só atrapalhou. Aqueles que eram recompensados financeiramente para chegar à solução levavam muito mais tempo para resolver o problema. Os outros, sem a pressão do dinheiro, se deram melhor. Em muitos casos, acreditar que você está fazendo algo relevante é mais eficiente para motivação do que um salário mais rechonchudo. Não é à toa, então, que empresas que esperam resultados inovadores têm horários e cobranças flexíveis - para esses funcionários, fazer a diferença e a ilusão de independência valem mais do que ganhar bem. "O desejo de atribuir significado ao nossotrabalho é uma parte inata e inflexível da nossa composição. É pelo fato de sermos animais concentrados no significado que podemos pensar em nos render a uma carreira ajudando a levar água potável à Malaui rural", escreve o filósofo pop francês Alain de Botton, em seu livro Os Prazeres e Desprazeres do Trabalho. 

Agulha no palheiro

Christopher Langan e Robert Oppenheimer eram dois americanos de QI sobre-humano (o de Christopher é um dos maiores de que se tem notícia: 195. O QI de Einstein, por exemplo, era 150). Christopher aprendeu a ler sozinho aos 3 anos, aos 15 desenhava retratos tão realistas que pareciam fotografias, aos 16 gabaritou o vestibular e perto dos 20 decidiu dedicar sua vida à física teórica. Já Robert fazia experimentos químicos complexos aos 8 anos de idade, aos 9 já falava grego e latim e aos 22 tinha concluído seu doutorado, com passagens pelas Universidades Harvard e de Cambridge. Os dois, além de gênios, eram esforçados e passaram a juventude enfurnados em livros - alcançaram facilmente a marca das 10 mil horas de estudo. Robert virou um dos físicos mais importantes do século 20 e ficou conhecido como o "pai da bomba atômica", pois liderou o time que desenvolveu a arma durante a 2ª Guerra Mundial. Já Christopher fracassou. Largou a faculdade em pouco mais de um ano. Trabalhou como garçom, operário da construção civil e zelador. Hoje, vive enfurnado em casa, sozinho, tentando elaborar uma teoria geral que explique o Universo inteiro. O que foi que deu errado com Christopher?

É duro dizer, mas sucesso depende também de uma boa quantidade de sorte. Estar na hora e lugar certos é muito importante - às vezes até mais do que as horas de treino. Christopher Langan, por exemplo, nasceu em uma família pobre. Chegou à faculdade porque ganhou uma bolsa de estudo. Mas teve de largar as aulas depois de perdê-la, porque sua mãe, que nunca acompanhou ou incentivou seus estudos, esqueceu-se de renovar o contrato que daria ao filho mais um ano de estudos grátis. Sim, ele deu muito azar. Não por causa da mãe desleixada - mas porque nasceu em uma família desestruturada. Um estudo feito na Universidade do Kansas mostrou que crianças que crescem em classes sociais mais baixas ouvem, em média, 32 milhões de palavras a menos nos primeiros 4 anos de vida do que seus colegas abastados (sim, alguém contou). Além disso, elas são expostas a um vocabulário menos variado e não são incluídas nas conversas "de adulto". Isso pode não ter consequências diretas na inteligência das crianças, mas tem na maneira como elas se relacionam com as pessoas. 

Ter habilidade social, aliás, é fator determinante para ser bem-sucedido. E é esse o elemento que foge das estatísticas da ciência. Em áreas em que os mais talentosos são sempre recompensados, como nos esportes ou na música, a regra das 10 mil horas e a importância da persistência fazem sempre sentido. Mas, em ambientes onde a competição é velada, como nos escritórios, o talento pode facilmente ficar em segundo plano - e perder importância para o tête-à-tête, as famosas afinidades. "A personalidade de uma pessoa afeta não só a escolha do trabalho mas, mais importante, quão bem-sucedida ela vai ser na carreira", diz Timothy Judge, especialista em carreira e personalidade da Universidade da Flórida. Timothy revisou 3 estudos longitudinais de personalidade que acompanharam a carreira de mais de 500 pessoas e chegou a conclusões interessantes. Pessoas autoconscientes, racionais e que pensam antes de agir costumam ganhar mais e subir mais cargos. Já quem é extrovertido e emocionalmente estável é mais feliz. Para o pesquisador, depois de anos observando as pesquisas, subir de status pode ser importante, mas o fator mais determinante para o sucesso ainda é sentir-se realizado. "Se a pessoa está infeliz no trabalho, tem de descobrir o que está atrapalhando. Senão o sucesso não vem mesmo."
A fórmula do sucesso

Virados para a lua 
Infelizmente, nem tudo que ronda o sucesso depende só de você. Um tanto de sorte é necessário para se dar bem na vida. Veja dois exemplos em que fatores que fogem do seu alcance podem fazer toda a diferença.

Berços de excelência
Há alguns ambientes em que tudo acontece ao mesmo tempo e surgem grandes oportunidades de sucesso. Foi o caso da Inglaterra nos anos 60, bem no início do rock, quando dezenas de boas bandas, dos Beatles aos Beach Boys, conquistaram o mundo. Ou do Vale do Silício na década de 1980, quando Bill Gates, Steve Jobs e Paul Allen aproveitaram o começo da computação para criar suas empresas e faturar milhões. É questão de sorte, mas procure sempre estar no lugar em que as coisas estão acontecendo.

Dias especiais
O dia do nascimento também pode interferir no sucesso (e não tem nada a ver com horóscopo). É comum que num mesmo ano letivo estudem crianças que nasceram no 1º semestre e outras que nasceram no 2º semestre do ano anterior. As que nasceram no ano anterior, entraram na escola um pouco mais velhas. Essa diferençazinha vira uma grande vantagem quando se trata de crianças pequenas. Os mais velhos terão a coordenação motora e o desenvolvimento intelectual mais adiantados do que os outros.
  
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sábado, 21 de julho de 2012

A vida sem patrão


A maioria das pessoas no Brasil já trabalha
sem carteira assinada e isso não é sinal de
empobrecimento. Muita gente está tentando
ganhar a vida por conta própria
Lia Abbud
Claudio Rossi

A REALIZAÇÃO DE UM SONHO
O casal Mathias e Eliana trocou dez anos de carreira na Rhodia pela construção de uma pousada no interior de Minas Gerais. O negócio deu certo e eles conseguiram manter um padrão de vida muito semelhante ao da época em que trabalhavam como empregados


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O casal Mathias e Eliana trocou dez anos de carreira na Rhodia pela construção de uma pousada no interior de Minas Gerais. O negócio deu certo e eles conseguiram manter um padrão de vida muito semelhante ao da época em que trabalhavam como empregados


 

A lista de sonhos da classe média sofreu uma alteração significativa. Uma das metas favoritas dessa fatia da sociedade sempre foi conseguir um bom emprego numa firma renomada ou numa estatal. Hoje em dia, empregar-se com carteira assinada ainda fascina as pessoas, mas não com igual intensidade. Muita gente descobriu o caminho paralelo de trabalhar por conta própria, vivendo sem patrão. Alguns aprendem isso porque sentiram a oportunidade no ar. Outros só perceberam a possibilidade ao ser despedidos num mercado de trabalho com tendência a encolher. Fato é que, de acordo com os estudos mais recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), quase metade da população urbana do país já trabalha sem assinar carteira ou receber ordenado. Segundo especialistas, pela primeira vez, há mais gente ganhando a vida sem carteira de trabalho do que com ela. "É uma das maiores mudanças já ocorridas na estrutura e na dinâmica da economia brasileira", afirma o ex-ministro da Fazenda Mailson da Nóbrega, sócio da consultoria econômica Tendências.


Queiroga/Lumiar

JORNADA DUPLANa época em que sua franquia de perfumes não lhe dava retorno, a pernambucana Roberta Araújo de Albuquerque trabalhava como caixa de um banco. A dupla jornada acabou quando o negócio engrenou


Em 1992, registrava-se um empate técnico entre o time dos que trabalhavam empregados, com carteira e tudo, e o dos que atuavam por conta própria. Cada um deles contava com cerca de 18 milhões de pessoas. A massa de empregados permaneceu praticamente inalterada até hoje. Mas o exército dos "sem-carteira" cresceu muito e ultrapassou a casa de 23 milhões de pessoas. Como a carteira é uma conquista da era Vargas que indiscutivelmente garantiu direitos básicos ao empregado, trabalhar sem ela era o mesmo que estar subempregado. Afinal, quem vivia sem registro? Entre os milhões nessa situação, costuma-se citar os camelôs, os vendedores de bugigangas em semáforos, as domésticas. Também entram na lista aqueles que fazem bico enquanto aguardam uma oportunidade de emprego. São sempre lembrados ainda os que, mesmo trabalhando numa firma qualquer, ficam sem registro por ganância do patrão, que não quer arcar com custos trabalhistas.
Essa fatia mais humilde da sociedade continua na mesma situação de penúria e gostaria muito de arranjar um bom e seguro emprego regular. A grande novidade no campo do trabalho sem carteira é o ingresso nesse clube de uma fatia expressiva formada por uma mão-de-obra qualificada. São administradores, publicitários, bancários e engenheiros, entre outros profissionais que pagam os impostos em dia (pelo menos a maioria deles, segundo a Receita Federal) e não querem ouvir falar em patrão. Essa gente se divide em três blocos centrais: há os terceirizados, que permanecem vinculados à empresa onde trabalhavam antes, só que na condição de prestadores de serviço; há os consultores, que atuam em diversas companhias; e há os empresários, que montaram um negócio qualquer. Comércio e prestação de serviço são as áreas mais procuradas, com cerca de 35% da preferência. Estima-se que essa fatia mais qualificada entre os 23 milhões de sem-carteira concentre nada menos que 12 milhões de pessoas.
Kiko Ferrite

ENGENHEIROS "INFORMAIS"
O engenheiro Marco e a arquiteta Miriam Addor não trabalham mais com carteira assinada desde que montaram um escritório, em 1995
Claudio Rossi

PEDREIRO REGISTRADO
A exemplo de outros colegas, o pedreiro Brito conseguiu ser registrado por uma construtora e receber alguns benefícios


Historicamente, a remuneração dos sem-carteira situava-se num patamar abaixo do auferido pela fatia empregada da sociedade. No correr das décadas de 80 e 90, esse patamar foi subindo de forma expressiva e deu um salto nos últimos anos. Hoje, um empregado ganha, em média, 560 reais por mês. Já a renda dos "sem-carteira" se aproxima de 800 reais. Enquanto os empregados tiveram um incremento de 17% nos vencimentos, os sem-carteira conseguiram melhorar em 40% seus ganhos. "O Brasil se tornou uma nação de empreendedores, e essa mudança vem se intensificando de forma silenciosa", afirma o cientista político Sérgio Abranches, colunista de VEJA.



Nélio Rodrigues/Ag. 1° Plano

TENTATIVA FRUSTRADA
Com o dinheiro do Fundo de Garantia,
a professora mineira Mirna Chipiakoff montou um café num bairro elegante de Belo Horizonte. Por falta de movimento, o negócio durou apenas nove meses


Sinais desse Brasil empreendedor podem ser conferidos em toda parte. Um dado objetivo é uma consulta ao Departamento Nacional de Registro do Comércio. De 1985 a 1989, cinco últimos anos da década de 80, foram abertas, em média, 420 000 empresas por ano. Entre 1995 e 1999, essa média saltou para 496 000, um aumento de 18%. São mais de 1 300 negócios surgindo diariamente – quase um por minuto. Há estudos mostrando que a maior parte dos novos empresários era composta de funcionários de uma empresa privada. Em São Paulo, esse número chegou a 59%. Outra indicação do fenômeno empreendedor é um trabalho recente elaborado pelo Babson College e pela London Business School. Os especialistas criaram um ranking com os povos mais empreendedores do planeta. Foram avaliados dados de 21 países. O Brasil ficou em primeiro lugar na lista. Um em cada oito brasileiros adultos monta um negócio próprio. Nos Estados Unidos, segundo colocado, a proporção é de um para dez. Um dos motivos que contribuem para o alto índice de empreendedores no Brasil é a legislação trabalhista rígida, que impede contratações flexíveis. Isso joga muitos candidatos a emprego na faixa dos que precisam se virar sozinhos. Nos Estados Unidos ou na Austrália, um dono de restaurante pode contratar garçons que trabalham apenas nos fins de semana para engrossar o plantel fixo da casa. Uma mulher que precise cuidar de uma pessoa inválida e dos quatro filhos ao mesmo tempo pode ser contratada como secretária de uma firma para trabalhar apenas duas horas por dia, dia sim, dia não. Não importa a combinação, tudo é possível. No Brasil, não. O único modelo aceito é o das oito horas diárias, com um mês de férias, 13° salário, indenização por demissão e todo o resto. Em todo país com legislação trabalhista rígida há mais desemprego.

No Brasil, algumas pessoas abrem uma empresa para melhorar a qualidade de vida. Um modelo imaginado por muitos é o casal Mathias de Abreu Lima Filho, 48 anos, e Eliana Chiocheti, 39. Ambos tinham bons cargos na Rhodia, em São Paulo. Ele era gerente do departamento de pesquisa, ela coordenadora de recursos humanos de uma das unidades da empresa. Depois de dez anos de carreira, os dois se desligaram da empresa e, no ano passado, inauguraram uma charmosa pousada em Monte Verde, no interior de Minas Gerais. Com o rendimento da pousada, sustentam quatro filhos, três deles estudando em escolas particulares. Têm casa própria, pagam plano de saúde e levam uma vida de bom padrão. "Nosso rendimento é ainda um pouco menor comparado ao da época em que éramos empregados da Rhodia", afirma Lima Filho. "A diferença acaba sendo compensada pelo prazer de tocar um projeto pessoal", completa ele.

Raul Junior
Fotos Rogério Voltan
NEGÓCIOS EM CASCATA
Segundo um estudo
internacional, os brasileiros estão em primeiro lugar no ranking dos povos mais empreendedores. É uma vocação tão forte que o mesmo negócio pode gerar uma série de "filhotes". No mercado da moda, isso ocorre com freqüência. Depois de trabalhar na Forum, do estilista Tufi Duek (1), o assessor Marcelo Sommer (2) montou a própria grife em 1995. Emilene Galende (3), ex-funcionária dessa nova empresa, seguiu o mesmo caminho e hoje também possui uma marca própria. "Já participei até de desfiles importantes", conta ela, orgulhosa

Mas o projeto de Mathias e Eliana não é a regra. Os "novos empresários" são puxados para a vida sem patrão por motivos menos românticos. Alguns dos mais fortes: demissão por iniciativa da empresa, desejo de livrar-se do chefe, esperança de encerrar uma rotina de trabalho que começa às 9 da manhã e acaba às 7 da noite e, por fim, a aspiração de melhorar o padrão de vida da família. Quando troca de lado, muita gente sente saudade da rede de proteção representada pela firma. Em vez disso, agora é preciso lidar com fornecedores, sócios, contadores, cobradores, clientes, advogados. Mais: o novo patrão precisa achar as respostas sozinho. E quanto à jornada das 9 às 7? Calcula-se que o neo-empresário trabalhe entre doze e quinze horas diárias. Afinal, ele ganha por serviço realizado. "Trabalho duas vezes mais do que na época em que era empregada", conta a arquiteta Miriam Addor, 35 anos. Depois de fazer parte durante seis anos do quadro de funcionários de uma construtora, ela montou em 1995 seu próprio escritório de engenharia, em sociedade com o marido, um engenheiro. Hoje, felizmente, não faltam obras à empresa, que emprega trinta profissionais.
Quanto a melhorar a renda familiar, há casos extraordinários como o do próprio casal Addor, que trabalha o dobro mas ganha o triplo do que ganhava antes. A regra geral não é tão generosa. A prática mostra que a maioria das pessoas passa a ganhar menos e, além disso, começa a arcar com despesas que inexistiam na fase empregada, como plano de saúde e previdência privada. Para tornar a vida do empresário ainda mais complicada, sua remuneração é inconstante. Segundo estudo realizado pelo pesquisador Marcelo Neri, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), a renda do empreendedor pode variar entre 25% e 50% de um mês para o outro.
O maior motor do empreendimento pessoal não é um movimento de atração, mas de expulsão. É isso mesmo. A maior parte das pessoas não foge do atual patrão. Apenas acaba sendo demitida por ele. Um estudo recente do Centro de Políticas Sociais da FGV apontou as razões que levaram cerca de 10 milhões de brasileiros a abrir um negócio próprio. Cerca de 2 milhões montaram a firma depois de abandonar voluntariamente o emprego que possuíam. Algo como 2,5 milhões de pessoas, no entanto, viraram microempresárias por não encontrar um novo emprego. Nas últimas décadas, empregar-se numa grande companhia tornou-se cada vez mais difícil. Ao contrário do que ocorria no passado, as companhias crescem mas não aumenta na mesma proporção o número de postos de trabalho. Em 1980, a Volkswagen produziu 470 000 veículos com 46 000 pessoas na sua folha salarial. Hoje, fabrica 20 000 carros a mais com metade da mão-de-obra de 1980. Os especialistas, acostumados a debater sobre os empregos do futuro, hoje especulam qual será o futuro do emprego.
Como escreveu o economista americano Jeremy Rifkin em seu livro O Fim dos Empregos, "trabalhadores presos entre um passado próspero e um futuro sombrio sentem-se encurralados, pois testemunham um processo sobre o qual não têm nenhum controle". Rifkin lembra que até algum tempo atrás a tecnologia ceifava empregos, mas o problema acabava sendo contornado com o surgimento de um outro setor que absorvia os trabalhadores demitidos. Agora não. Estima-se que a reengenharia empregada mundo afora resulte num corte de 40% dos postos existentes. Detalhe: a reengenharia começou como um modelo exclusivo da megacorporação e hoje é utilizada até mesmo nos negócios de pequeno porte. Para tornar o quadro ainda mais sombrio, basta dizer que há mais de 800 milhões de pessoas desempregadas ou subempregadas no mundo, o mais alto desemprego global desde a depressão de 1930. De acordo com a Federação Internacional dos Metalúrgicos, em Genebra, até 2020 menos de 2% dos metalúrgicos atualmente empregados conseguirão fabricar todos os bens de consumo que hoje exigem o trabalho desse tipo de profissional. A sociedade está tão habituada com a existência do emprego em massa que parece até incrível verificar que está chegando ao fim a era das grandes linhas de montagem cujo funcionamento depende de braços humanos.
Outros países já registraram um movimento de transformação do mercado profissional semelhante ao que ocorre agora no Brasil. Na década de 70, aconteceu algo parecido nos Estados Unidos. Estima-se que, hoje, os trabalhadores americanos sem registro já cheguem à casa dos 25 milhões, incluindo microempresários, consultores e prestadores de serviço, entre outros, que representam cerca de 20% da força produtiva nos Estados Unidos. Existe uma tendência mundial que explica a repetição desse fenômeno em vários países. É o enxugamento das empresas e dos quadros administrativos oficiais. No Brasil, os cortes no quadro de funcionários de estatais privatizadas ou de empresas incorporadas por grupos estrangeiros geraram uma onda dos chamados "Planos de Demissão Voluntária" (PDV). Para espanto geral, boa parte desses planos contou com adesão acima da esperada. Ou seja, as pessoas muitas vezes preferem ser demitidas. Quando o banco Excel adquiriu em 1996 o Econômico, os novos administradores esperavam reduzir 3.000 vagas. Cerca de 20% a mais de funcionários se desligaram voluntariamente. No programa realizado após a privatização do Banespa, 8.203 trabalhadores se inscreveram no PDV – bem mais que o previsto. Uma das empresas que realizaram recentemente um projeto desse tipo, a Rede Ferroviária Federal, pesquisou o que os ex-funcionários fizeram com a indenização. Descobriu que nada menos que 75% deles usaram o dinheiro para abrir um comércio. "O brasileiro não possui apenas espírito empreendedor, mas rebelde", afirma Marcelo Neri. "Ele não gosta de ficar apertando parafuso."
Os negócios mais bem-sucedidos foram montados por quem investiu na coleta de informações sobre os riscos envolvidos na operação. Há diversas entidades dispostas a fornecer orientação, entre elas o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas, Sebrae (www.sebrae.com.br). Com a ajuda da internet, podem-se garimpar dados não apensas no Brasil, mas em outras partes do mundo. Outra constatação é que acerta mais quem tem a idéia e vai buscar o dinheiro para financiá-la do que aquele que tem o dinheiro e então fica pensando no que fazer. A não ser em casos excepcionais, há uma verdade absoluta nesse setor: sobrevive quem se prepara com cuidado e inicia o empreendimento com alguma folga de caixa.
O Brasil registra um dos maiores índices do mundo de mortalidade de empresas. Cerca de 50% dos negócios criados no país fecham suas portas antes de completar um ano de vida. "As pessoas têm muita vontade de viver sem patrão, mas cometem erros primários na hora em que são obrigadas a tomar decisões empresariais", afirma Vinicius Lummertz, diretor técnico do Sebrae Nacional. De acordo com levantamento feito pela instituição em Minas Gerais, fatores externos, como a concorrência e a excessiva tributação, são responsáveis por aa de 50% dos negócios criados no país fecham suas portas antes de completar um ano de vida. "As pessoas têm muita vontade de viver sem patrão, mas cometem erros primários na hora em que são obrigadas a tomar decisões empresariais", afirma Vinicius Lummertz, diretor técnico do Sebrae Nacional. De acordo com levantamento feito pela instituição em Minas Gerais, fatores externos, como a concorrência e a excessiva tributação, são responsáveis por apenas 27% dos casos de falência. As demais causas são a escassez de capital de giro, a falta de clientes e erros na montagem do negócio. A professora mineira Mirna Chipiakoff, 42 anos, fez uma tentativa frustrada de abrir um negócio próprio. Ela pediu demissão do banco em que trabalhou por seis anos e investiu os 18.000 reais da rescisão em um café localizado em um dos bairros mais elegantes de Belo Horizonte. Como o movimento não foi o esperado, Mirna não conseguiu sustentar o negócio por muito tempo. "Fui obrigada a fechar as portas antes que o prejuízo fosse maior", lembra.
Os empreendedores que escapam dessa incrível taxa de mortalidade têm muito a ensinar a quem deseja seguir igual caminho. A mesma pesquisa do Sebrae mineiro mostra que a maioria atribui o sucesso a uma boa administração, a um bom conhecimento do setor e à perseverança do dono. Calcula-se que os empreendedores de sucesso tomaram um cuidado adicional: na hora de fazer o investimento inicial, mantiveram intacto algo como 70% de suas economias. Parte desse dinheiro foi usada para o capital de giro. O restante destinava-se a suprir as despesas pessoais enquanto o comércio não dava o retorno desejado. Outro erro considerado gravíssimo é trocar de lado do balcão mas continuar com a visão de empregado. Ou seja, esquecer-se de reservar tempo para buscar novos clientes, traçar estratégias, projetos especiais, metas para a empresa a médio e longo prazo. Para garantir a sobrevivência do próprio negócio, uma franquia da perfumaria O Boticário, a pernambucana Roberta Araújo de Albuquerque chegou a acumular duas funções: trabalhava em meio expediente como caixa num banco e, no restante do dia, cuidava de sua loja. Em 1997, quando o negócio já caminhava bem, ela deixou o emprego e usou o fundo de garantia para comprar outra franquia da mesma marca. "Tenho hoje um carro e um apartamento, patrimônio que não conseguiria acumular nunca trabalhando como bancária", conta ela.
O Brasil tem um dos empregos mais caros do mundo. Não porque o salário seja alto, mas porque a criação de um posto de trabalho é altamente tributada e, como contrapartida, o Estado oferece serviço de baixa qualidade a quem paga os impostos. Do ponto de vista de quem contrata, manter um empregado significa dar ao governo algo como 1 real para cada real de salário. Sai mais barato despedir o funcionário, recontratá-lo como "empresa" e ainda aumentar seus vencimentos em 20% ou 30%. Do ponto de vista do assalariado, a operação também é vantajosa. Um empregado de bom salário paga 27,5% de seus ganhos a título de imposto de renda. Na condição de "empresário", pode reduzir a carga para menos da metade. Como o Brasil é uma terra de contrastes, trabalhar por conta própria é bom para alguns e péssimo para outros. Segundo dados da FGV, boa parte das famílias pobres do Brasil permanece sendo sustentada por pessoas que trabalham sem vínculo empregatício. É uma realidade duplamente perversa. Primeiro, porque quem as contrata está sonegando impostos. Depois, porque, no futuro, o Estado vai ter de arcar com os custos de saúde, assistência social e aposentadoria de uma massa de idosos que jamais contribuíram com a Previdência Social por culpa exclusivamente do patrão.
Para a população de baixa renda, bom é ter carteira assinada, sim. Tome-se como exemplo o caso do pedreiro baiano Bernardino Castro de Brito, 35 anos. Quando chegou a São Paulo, no começo da década de 90, ele trabalhou dois anos sem registro em carteira. "Meus amigos diziam que, dessa maneira, eu conseguiria receber mais dinheiro", conta ele, que nessa época chegava a embolsar cerca de 800 reais por mês. Sentindo-se inseguro demais com a situação, Bernardino resolveu mudar de idéia. Há alguns anos, aceitou um emprego numa empresa de construção civil, com salário mensal menor – 460 reais. Mas, fazendo as contas na ponta do lápis, saiu no lucro. Considerando-se as horas extras, o 13º salário e outros benefícios que recebe, como plano de saúde e vale-transporte, o pedreiro possui hoje uma renda anual maior. E, graças ao contracheque, tem outros benefícios indiretos. "Posso abrir conta em banco e fazer financiamentos", explica ele.
O crescimento no número de empreendedores já produziu duas mudanças no país. Uma delas diz respeito aos serviços de apoio aos empresários de primeira viagem. Uma antiga reclamação dos que trabalhavam "por conta" dizia respeito à dificuldade em comprovar renda para obtenção de financiamento habitacional e à impossibilidade de ingressar num plano de previdência privada. A Caixa Econômica Federal (CEF) já montou um produto para quem quer financiar a casa própria e não pode comprovar renda. A partir de um questionário preenchido pelo trabalhador, a CEF calcula a capacidade de pagamento do candidato. De acordo com os dados do banco, cerca de 20% dos financiamentos são feitos hoje dessa forma. Quanto aos planos de previdência, as seguradoras discutem neste momento uma forma de criar um produto especial.
Outra mudança expressiva é de caráter político e ideológico. Essa massa de novos empreendedores ganha como empregado, mas precisa pensar e agir como patrão, pois seus rendimentos sofrem alterações diárias devido às oscilações da economia brasileira. Os estudiosos já cunharam um termo para identificar esse grupo emergente: "nova classe média". Quando a economia vai bem, eles são os primeiros a ganhar. Quando ela vai mal, os primeiros a perder. "Por causa dessa irregularidade nos ganhos e nas perspectivas de segurança, acabam tendo opiniões políticas mais conservadoras que a média dos assalariados e muito mais conservadoras do que tinham antes", afirma o cientista político Sérgio Abranches.
Como existem vantagens e desvantagens na hora de montar um negócio próprio, os especialistas defendem que é preciso levar em conta a vocação antes de decidir por esse caminho. Uma pessoa com um tremendo domínio técnico de sua área pode ter resultados pífios quando decide deixar o emprego para vender seus serviços por conta própria. Em outros termos, não adianta ser um gênio da engenharia mas um péssimo administrador. A capacidade de empreender parece ser uma habilidade à parte, que independe do conhecimento técnico que a pessoa tenha. Alguns sustentam até mesmo que o talento para gerir um negócio é uma característica inata.
O Kauffman Center for Entrepreneurial Leadership, instituto americano especializado no assunto, divulgou recentemente um estudo defendendo a tese da virtude inata. Na pesquisa, o professor de psicologia Alan Jacobowitz entrevistou 500 empreendedores dos Estados Unidos em um período de três anos. Suas características comuns eram a inquietude, a independência, a preferência por trabalhar sozinho e a elevada autoconfiança. Na direção contrária a essa linha de pesquisa, percebe-se um aumento no número de cursos que oferecem aulas ensinando as pessoas a se tornarem empresárias. Para essa corrente, o talento empresarial é matéria que dá para aprender.
De acordo com o guru da administração Peter Drucker, perde tempo quem procura traçar um perfil-padrão do empresário. Ele disse certa vez, fazendo graça: "Alguns empresários são excêntricos, outros são conformistas doentios. Alguns são gordos, outros são muito magros. Alguns são tensos, outros relaxados. Alguns bebem muito, outros são abstêmios. Alguns são homens extremamente charmosos e entusiasmados, outros possuem uma personalidade mais fria que a de um peixe congelado". Tome-se como exemplo dessa diversidade de que trata Drucker uma preocupação corriqueira quando se discute o tema. Qual é a idade certa para iniciar um empreendimento? Ela simplesmente não existe. Bill Gates fundou a Microsoft com apenas 20 anos. Sam Walton deu origem ao império Wal-Mart aos 44. E Ray Kroc era um homem de 52 anos quando montou a maior cadeia de fast food do planeta, o McDonald's. Perguntado certa vez se não tinha começado tarde demais, Kroc afirmou: "Eu estava com 52 anos. Tinha diabetes e um início de artrite. Havia perdido minha vesícula biliar, mas tinha certeza de que o melhor estava por vir". Se você tem uma sensação parecida com a de Ray Kroc, pode ser que esteja na hora de tentar o salto. Ou não?
Com reportagem de Joana Calmon e Ricardo Mendonça,
de São Paulo, Nahara Bauchwitz, do Recife,
e
Neide Oliveira, de Belo Horizonte

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terça-feira, 17 de julho de 2012


Quase 40% dos brasileiros com ensino superior têm nível insuficiente em leitura e escrita

Menos de 30% da população são plenamente alfabetizados, diz pesquisa

REDAÇÃO ÉPOCA, COM AGÊNCIA BRASIL E AGÊNCIA ESTADO

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Leitura (Foto: Sxc.hu)
Apenas 35% das pessoas com ensino médio completo podem ser consideradas plenamente alfabetizadas e 38% dos brasileiros com formação superior têm nível insuficiente em leitura e escrita. É o que apontam os resultados do Indicador do Alfabetismo Funcional (Inaf) 2011-2012, pesquisa produzida pelo Instituto Paulo Montenegro (IPM) e a organização não governamental Ação Educativa.
A pesquisa avalia, por meio de entrevistas e um teste cognitivo, a capacidade de leitura e compreensão de textos e outras tarefas básicas que dependem do domínio da leitura e escrita. A partir dos resultados, a população é dividida em quatro grupos: analfabetos, alfabetizados em nível rudimentar, alfabetizados em nível básico e plenamente alfabetizados. Criado em 2001, o Inaf é aplicado em uma amostra nacional de 2 mil pessoas entre 15 e 64 anos. 
Os resultados da última edição do Inaf mostram que apenas 26% da população podem ser consideradas plenamente alfabetizadas – mesmo patamar verificado em 2001, quando o indicador foi calculado pela primeira vez. Os chamados analfabetos funcionais representam 27% e a maior parte (47%) da população apresenta um nível de alfabetização básico.
“Os resultados evidenciam que o Brasil já avançou, principalmente nos níveis iniciais do alfabetismo, mas não conseguiu progressos visíveis no alcance do pleno domínio de habilidades que são hoje condição imprescindível para a inserção plena na sociedade letrada”, aponta o relatório do Inaf 2011-2012.
O estudo também indica que há uma relação entre o nível de alfabetização e a renda das famílias: à medida que a renda cresce, a proporção de alfabetizados em nível rudimentar diminui. Na população com renda familiar superior a cinco salários mínimos, 52% são considerados plenamente alfabetizados. Na outra ponta, entre as famílias que recebem até um salário por mês, apenas 8% atingem o nível pleno de alfabetização.
De acordo com o estudo, a chegada dos mais pobres ao sistema de ensino não foi acompanhada dos devidos investimentos para garantir as condições adequadas de aprendizagem. “O esforço despendido pelos governos e também pela população de se manter por mais tempo na escola básica e buscar o ensino superior não resulta nos ganhos de aprendizagem esperados. Novos estratos sociais chegam às etapas educacionais mais elevadas, mas provavelmente não gozam de condições adequadas para alcançarem os níveis mais altos de alfabetismo, que eram garantidos quando esse nível de ensino era mais elitizado. A busca de uma nova qualidade para a educação escolar em especial nos sistemas públicos de ensino deve ser concomitante ao esforço de ampliação de escala no atendimento para que a escola garanta efetivamente o direito à aprendizagem ”, afirma o relatório.
Segundo dados do IBGE e da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), cerca de 30 milhões de estudantes ingressaram nos ensinos médio e superior entre 2000 e 2009. Para a diretora do IPM, Ana Lúcia Lima, o aumento foi bom, pois possibilitou a difusão da educação em vários estratos da sociedade. No entanto, a qualidade do ensino caiu por conta do crescimento acelerado.

"Algumas universidades só pegam a nata e as outras se adaptaram ao público menos qualificado por uma questão de sobrevivência", afirma. "Se houvesse demanda por conteúdos mais sofisticados, elas se adaptariam da mesma forma."
Para a coordenadora-geral da Ação Educativa, Vera Masagão, o indicativo reflete a "popularização" do ensino superior sem qualidade. "No mundo ideal, qualquer pessoa com uma boa 8ª série deveria ser capaz de ler e entender um texto ou fazer problemas com porcentagem, mas no Brasil ainda estamos longe disso."
Segundo Vera, o número de analfabetos só vai diminuir quando houver programas que estimulem a educação como trampolim para uma maior geração de renda e crescimento profissional. "Existem muitos empregos em que o adulto passa a maior parte da vida sem ler nem escrever, e isso prejudica a procura pela alfabetização", afirma. 
Confira quais são os quatro níveis de alfabetização identificados pelo Inaf 2011-2012:
Analfabetos: não conseguem realizar nem mesmo tarefas simples que envolvem a leitura de palavras e frases ainda que uma parcela destes consiga ler números familiares.
Alfabetizados em nível rudimentar: localizam uma informação explícita em textos curtos, leem e escrevem números usuais e realizam operações simples, como manusear dinheiro para o pagamento de pequenas quantias.
Alfabetizados em nível básico: leem e compreendem textos de média extensão, localizam informações mesmo com pequenas inferências, leem números na casa dos milhões, resolvem problemas envolvendo uma sequência simples de operações e têm noção de proporcionalidade.
Alfabetizados em nível pleno: leem textos mais longos, analisam e relacionam suas partes, comparam e avaliam informações, distinguem fato de opinião, realizam inferências e sínteses. Resolvem problemas que exigem maior planejamento e controle, envolvendo percentuais, proporções e cálculo de área, além de interpretar tabelas, mapas e gráficos. 
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sexta-feira, 13 de julho de 2012

APRENDENDO SEM SAIR DA EMPRESA




Aprendendo sem sair da empresa
Estudar e acompanhar aulas e atividades sem sair da empresa ou de casa, escolher os

horários para estudar, atualizar-se para progredir na carreira ou nos negócios

sem precisar se deslocar a uma instituição de ensino: tudo isso já é realidade

com a Educação a Distância (EAD), modalidade cada vez mais adotada

por escolas brasileiras e internacionais. De acordo com Rita Vucinic,

consultora do Sebrae-SP, a oferta de cursos online está em

franco crescimento. “Instituições de todos os níveis

educacionais e de cursos livres estão oferecendo

em sua grade a opção”, diz. Segundo o Censo da

Educação Superior, realizado pelo Ministério da

Educação, as instituições de ensino de pequeno

porte, com até 1 mil matrículas, registraram,

em 2009, aumento de 30,4% na quantidade

de cursos online, em relação a 2008.

Além das vantagens mencionadas, os

alunos que optam por cursos EAD

também se beneficiam dos custos

menores em comparação com os

tradicionais. “Outra vantagem é que

o aluno lê e produz textos intensamente,

como forma de demonstrar aos

professores-tutores que está absorvendo

o conteúdo transmitido e avançando

em seu aprendizado. Além disso, todo

o conteúdo trabalhado fica armazenado

no ambiente virtual, acessível ao aluno

a qualquer hora, em qualquer lugar”,

ressalta o professor Stavros Xanthopoylos,

diretor da FGV Online.

Ele alerta, no entanto, que a flexibilidade da

educação a distância também exige muito mais disciplina

do estudante, que deve se esforçar para acompanhar o ritmo

do curso e dos demais alunos. “Sem disciplina e comprometimento

o aluno de EAD fica ‘desgarrado’ do processo, já que não existe o

elemento físico da sala de aula para auxiliar e levá-lo à obrigatoriamente

de dedicar uma parte de seu tempo ao aprendizado”, afirma.

O aluno que opta por EAD tem mais autonomia e responsabilidade

sobre o conhecimento que adquire, além de mais flexibilidade na forma como

dedica o tempo aos estudos.

Fonte: SEBRAE


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domingo, 8 de julho de 2012


Prezados,

Neste próximo domingo inicia-se o segundo semestre de 2012.

Será que você tem noção do que isto significa ??? Para alguns significa apenas 6 meses de nossas vidas que se passaram, para outros foram 6 meses de desenvolvimento e realizações; e para você o que significa ???

Eu, juntamente com a EvoluçãoX e com certeza com a sua companhia iniciaremos um NOVO momento neste negócio.

Acredito que cada um de nós gostaria que este negócio e sua estrutura fosse um pouco mais diferente ou até muito mais diferente. Cada um tem uma visão particular de tudo que vê pela frente. Aí está a grande oportunidade de se desenvolver e realizar.

Como EMPREENDEDORES que somos temos que dar solução para aquilo que quisermos melhorar ou pelo menos ir em busca desta melhoria.

Este é um negócio fantástico pois ele é muito justo, mas muito justo mesmo. O resultado virá e dependerá do que você vai fazer. Ele será insignificante, será negativo ou será um MEGA resultado. Depende de você.

Cada um de nós tem um SONHO ou vários sonhos. Talvez sonhos que temos a muitos e muitos anos ... e que até hoje não foi realizado ...

Neste tipo de negócio existe um padrão para se ter SUCESSO. É o padrão de 8 passos para o sucesso.

O primeiro passo é “DEFINA O SEU SONHO !!!!”

Com o passar do tempo você vai entender por que ele, por unanimidade foi eleito o PRIMEIRO passo ...

O sonho é parte da nossa MISSÃO de vida, da nossa VISÃO ...

A partir do momento que todos nós desenvolvermos a capacidade de sonhar ... os resultados virão ... acredite nisso.

VAMOS iniciar o 2º semestre com um espírito vencedor ... acreditando no nosso desenvolvimento, se comprometendo conosco, com os nossos empreendedores e com os nossos patrocinadores.

VAMOS plantar agora para que no final do ano o nosso NATAL seja FARTO de realizações e com recursos suficientes para iniciarmos 2013 com força total ...

VAMOS ousar e superar os nossos limites ...

O momento é AGORA ...

Felicidades e Sucesso a todos !!!

Shibuya

sábado, 30 de junho de 2012

cases de sucesso | SHIBUYA
















Este é um negócio fantástico e inovador.
Aqui você pode ganhar e tem sucesso efetivo, basta ajudar as pessoas a conseguir o que desejam.
"Quer você pense que pode, quer você pense que não pode", disse Henry Ford, "você está certo".
Sejam felizes e sucesso a todos !!!
18 Empreendedores cadastrados em apenas um mês!
O que você está esperando para entrar para este time de sucesso?
E esteja aqui no próximo mês!

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quinta-feira, 21 de junho de 2012

 

Três habilidades que todo empreendedor precisa ter

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Enquanto conversava com uma recém-formada sobre oportunidades de negócios e planos para o futuro, o colunista da revista Inc. Ron Burley percebeu que, no discurso da garota, havia bastante entusiasmo – e muito medo também. Graduada em administração de empresas, ela começava naquele momento uma nova fase de sua vida, repleta de expectativas e apreensões.
“Ela estava certa ao sentir um pouco de medo”, diz Burley, em sua coluna no site da publicação. Apenas o conhecimento acadêmico não é garantia de sucesso quando se começa um negócio. Para se sair bem como empresário, são necessárias outras habilidades, daquelas que não costumamos colocar no currículo. Usando sua experiência como advogado especializado em direito do consumidor e empreendedor em série, o colunista enumera três delas:
Perseverança
Quando se vê um futuro incerto à frente, é normal ter medo. Existem algumas pessoas, no entanto, que, quando se veem diante daquilo que é duvidoso, escolhem não fazer nada. “Elas sempre falam para os outros sobre seus grandes planos, mas não conseguem reunir forças o suficiente para tirá-los do papel e colocá-los em prática”, diz Burley.
Nos negócios, perseverança significa olhar sempre em frente, dando um passo de cada vez e enfrentando as dificuldades conforme elas aparecem. Para o colunista, muitas pessoas fracassam durante esse percurso porque desistem logo no primeiro obstáculo. “Toda grande história de empreendedorismo conta com pelo menos um episódio em que a pessoa precisou ser perseverante para superar um desafio”, diz.
Dica: Todos os dias faça pelo menos uma coisa que te coloque mais perto do seu objetivo. Se conseguir cumprir isso, no final do ano, você terá dado quase 400 passos em direção ao seu destino.
Respeito
Existem muitas ideias de negócios que podem ser mudadas ou melhoradas. Mas isso não significa que todas sejam assim. “A roda já foi inventada e funciona muito bem exatamente do jeito que está”, diz Burley. Toda indústria, todo segmento tem uma história. Estude-a. Entenda e respeite o que foi feito antes da sua empresa. Só assim você será capaz de reconhecer novas oportunidades e as deficiências do setor. Além disso, poderá também evitar tomar decisões ou medidas que não deram certo no longo prazo.
Dica: Procure conversar com pessoas que trabalham há mais tempo no ramo em que você deseja atuar. Leve-os para tomar um café e anote tudo o que dizem. O objetivo aqui não é copiá-los, mas sim aprender com suas experiências, erros e sucessos.
Inovação
É claro que você precisa estar pronto quando uma oportunidade “bater na sua porta”. Mas, em tempos econômicos difíceis, você pode estar perdendo tempo esperando. Você devia estar fazendo. Crie a sua própria oportunidade, com um pouco de inovação pessoal.
Para Burley, inovação é uma forma especializada da criatividade, em que se cria algo novo e, principalmente, útil. “Mandar um bolo de aniversário para o CEO da empresa com a qual você quer fechar negócio pode ser criativo, mas dificilmente será útil. Para ser produtivo e inovador nessa situação, você precisa pensar em uma ideia ou método que te dará todas as chances de alcançar seu objetivo”, diz o colunista.
Dica: Pergunte a você mesmo quais sãos as necessidades dessa pessoa e descubra como você pode solucioná-las de um jeito criativo e inovador.